A “sorte” é suficiente para termos êxito no que fazemos?

Sorte

O filme Um homem de sorte, de 2018, é baseado no livro Lykke-Per, do autor dinamarquês Henrik Pontoppidan. É um drama de época que retrata a história de um jovem dinamarquês e talentoso estudante de engenharia, Peter Sidenius, que cresceu diante de pais muito religiosos, frios e rígidos.

Peter tem a “sorte” de conhecer uma família muito rica e a oportunidade de colocar seus projetos de engenharia em prática para revolucionar a qualidade de vida na Dinamarca e se depara com seus traumas e sentimentos oriundos da sua família de origem (pai e mãe).

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Divulgação

O filme retrata a importância de honrar e tomar os pais, ou seja, aceitá-los como são, independentemente do que eles fizeram com os filhos para ter sucesso, relacionamentos saudáveis e prosperidade na vida. Importante destacar que aceitar não é concordar com o que eles fizeram. Tomar os pais é olhar pra eles e entender que esses pais também sofreram na criação que receberam e são a melhor versão que podem ser diante de tantos traumas, doenças, violência, guerras, pandemias, epidemias que seus antepassados vivenciaram. Uma frase da consteladora, psicóloga e portuguesa Maria Gorjão que relata bem isso é: “Não existem pessoas más, existem pessoas que sofrem”.

Segundo Bert Hellinger, criador da visão sistêmica e das constelações familiares, um(a) filho(a) que rejeita os próprios pais rejeita a própria vida, pois cada pessoa nasce da junção de dois gametas (óvulo e espermatozóide), ou seja 50% da mãe e 50% do pai. Se julga e/ou rejeita um dos dois ou os dois, rejeita a si próprio e a própria vida e, por isso, não consegue ter êxito e sucesso nas atividades que faz nem nos seus relacionamentos.

O filme é totalmente sistêmico do início ao fim e nos faz refletir sobre o amor não saudável, orgulho, raiva, revolta, julgamento, ambição e principalmente sobre as lealdades sistêmicas invisíveis, que são aqueles padrões de comportamentos dos nossos pais e antepassados que repetimos de maneira inconsciente para nos sentirmos pertencentes ao sistema, que é justamente a primeira lei sistêmica do psicoterapeuta Bert Hellinger: Pertencimento. Esta lei retrata a importância de incluir todas as pessoas da família, sem julgamento. Quando Peter exclui os próprios pais da sua vida ele não recebe a força dos antepassados que ele precisa para seguir em frente e realizar seus sonhos.

 

Muitas pessoas têm a sorte de ganhar na loteria, ficam milionárias e a maioria perde tudo que recebeu e volta a ficar sem dinheiro. Novamente, um exemplo de lealdade sistêmica. Por “amor” aos pais e antepassados que passaram por muitas dificuldades financeiras, estas pessoas ficam pobres novamente para se sentirem leais e pertencentes ao seu sistema familiar. Praticam, desta maneira, o amor com dor.

O amor saudável é aquele que é possível vivenciar honrando e tomando os pais no coração com exercícios e falas sistêmicas ou durante uma Constelação Familiar. Com esta consciência, a pessoa traz para si a auto responsabilidade de fazer novas escolhas e começa a praticar o amor com consciência.

 

Elis Borsoi
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