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Ainda sobre Paulos Césares

Luiz Cláudio de Santos

Por Luiz Cláudio de Santos


Paulo CesarBuenossss.

Então, é Paulo César Pinheiro pra cá, Paulo César de Faria pra lá, por que não falar de Paulo César dos Santos Luz? E o assunto ainda sendo ‘irmãos que a vida me deu’? Pois é, amigo de quase cinquenta anos, imagina o que não passamos juntos. Até hoje. O Paulo sabe tudo de mim e eu sei tudo dele. Somos nossos terapeutas. Rararará. 

Ontem mesmo, no ‘desigual’, entre um número quase incontável de cervejas e cachaças, falamos de incontáveis assuntos. Aí, a gente volta pra casa mais leve, mais preparado para as próximas cacetadas da vida. E bêbados, claro.

Conheci o Paulo através de um cara chamado Valdir Troncoso das Neves, que era meu vizinho de muro e foi o meu primeiro amigo na vida – então, posso dizer seguramente que o Paulo é o meu segundo amigo, juntamente com o Douglas Albino Bueno, que morava a algumas casas da minha, ali na gloriosa Avenida Doutor Pedro Lessa. A Pedro Lessa era dividida em dois lados, um asfaltado e outro de terra, com valas. Adivinha em qual lado eu morava. E dá-lhe vermes. Rararará. 

 

No meio da avenida, o trilho do bonde. Ah, é, um detalhe interessante: o Paulo mora até hoje na mesma casa onde nasceu, há sessenta e dois anos atrás, na esquina das ruas João de Barros e Liberdade. Rua Liberdade, aliás, onde nasci, no número 364.

 

Bueno, mas o papo aqui é música, cazzo, vamos falar de música.

Paulo CesarJuntamo-nos, lá pelos idos de 1977/78, eu, o Paulo, o Valdir, o Douglas, os irmãos Walter Soares Júnior e Mário Sérgio Soares e mais um outro amigo-irmão, Milton Matheus Júnior, e fundamos o grupo ‘Copos & Bocas’ – o nome era uma corruptela de um disco da Gal Costa, ‘Caras & Bocas’ – e saímos a compor canções, freneticamente, bastante assunto tínhamos, grazie a Dio. 

 

Fizemos nossa primeira apresentação em 1980, no auditório do gloriosíssimo Sindicato dos Metalúrgicos de Santos, com canções próprias, para um público bem significativo. E fizemos diversas outras tantas em teatros, bares, escolas, faculdades, rádios, tv (programa ‘A Fábrica do Som’ – Cultura), enfim, foi um tempo bom, até eu me desligar da banda, em 1983. 

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Mas há uma apresentação que vale a história, não que as outras não valham, mas essa foi muito louca. Auditório do Parque Anilinas, Cubatão/SP, lotadaço, era esperado um show de calouros. Por alguma falha de comunicação, creio eu, pautaram a gente para apresentar o nosso show, totalmente autoral e com partes cênicas, inclusive. Cara, fomos vaiados do começo – quando o público percebeu que não havia calouro nenhum – até o final do show. Surreal. Um recorde. Vaias do início ao fim. E o mais louco: não atiraram nada no palco, não foram embora, só vaiaram, vaiaram, vaiaram, vaiaram, que a gente não conseguia ouvir os próprios instrumentos. Mas não posso dizer que os cubatenses não tenham sido educados, não? Rararará.

Paulo Cesar
grupo ‘Copos & Bocas’

Ai, ai. Mas, voltando ao Sindicato dos Metalúrgicos, lembro que foi a única vez em que meu pai Joaquim (eeêe) assistiu a uma apresentação musical minha. Porque ele ficou na portaria do evento, recebendo os ingressos. Ele e minha mãe não iam, nem que a vaca tossisse, ver o filho doido cantar e tocar violão ou contrabaixo em lugar algum. Aliás, minha mãe, a dona Otília, quando eu ía sair, sentadinha no sofá da sala, perguntava: ‘Luiz Cláudio, vai trabalhar ou vai tocar?’. Eu respondia: ‘Pô, mãe, vou tocar, mas é trabalho, também’, no que ela retrucava imediatamente: ‘Não, não, ou vai trabalhar ou vai tocar’.

O Paulo César, o dos Santos Luz, fez uma canção com essa frase.

Inté a próxima, besos em todes.

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Paulo Cézhar Luz
Paulo Cézhar Luz
16 dias atrás

Curioso o tempo, quando o Luiz menciona os tantos anos de amizade e convivência, é que me dou conta da passagem das eras. Desde o Copos e Bocas, acompanhando também a carreira artística do Negron. Foi no apto dele que, por volta do final dos 90, ouvi as gravações dos sambas(dele e do Jair de Santos Freitas) que seriam incluídos no Sambas da Ilha , CD da Cavalo de Praia Produções. E tem mais itens que presenciei. O que reparo é que alguns estranham tão aproximação, pois só agora ficaram sabendo que nós conhecemos antes do período Jornal do Brasil/ Torto. Só posso agradecer do fundo do coração a menção, o artigo referente aos “Paulos Césares”. Ah, e a música que cita ao final, é Ou,Ou, Rock and Roll:”vai trabalhar, ou vai tocar, ainda nessa de artista? Sempre o discurso de alguém, que sonhos não tem”.
Paulo Cézhar Luz 11/09/2021

Rosali Toledo
Rosali Toledo
Responder para  Paulo Cézhar Luz
16 dias atrás

Sempre seguindo as crônicas sobre a vida musical de Luiz Cláudio e seus amigos. Conhecendo um pouco da trajetória da música de Santos. Narração objetiva e encantada.

Monica Marques De Paula
Monica Marques De Paula
Responder para  Paulo Cézhar Luz
15 dias atrás

Amei o artigo e faz jus à belíssima história dessa amizade e da música em Santos. Meus queridos meninos. bjsjsjsj

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