Contra a maré

maréTudo se clareia quando a gente consegue enxergar que estávamos mergulhados num mar caudaloso de expectativas. E é só quando a gente percebe isso que conseguimos nadar para terra firme. maré

A boia das projeções é macia, segura e nos garante a zona de conforto, porque, ali, boiando nas expectativas, a culpa é sempre do outro, o problema está sempre lá e nós somos sempre vítimas. À deriva.

Não é fácil mudar de perspectiva, muitas vezes ainda sob mar revolto, mas a única forma de fazê-lo é nadar, nadar e nadar. Mesmo que seja contra a corrente. Porque aquele mar é exatamente o que ele consegue ser. Ele não vai mudar e, normalmente, nós descobrimos isso a tempo de nos salvarmos, mas insistimos na expectativa de a maré mudar. Ainda que ela dê sinais de que aquele é o seu ritmo.

De novo, não é fácil, mas a melhor estratégia é observar os movimentos. E quanto mais contra as nossas expectativas forem eles, mais evidente é que estamos nadando contra a maré. Engolindo água e perdendo forças.

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O outro não tem nada com as nossas expectativas, elas são nossas. A ele cabe entregar o que pode, o que sabe ser. E a nós, aceitarmos o movimento e usá-lo ao nosso favor, para chegarmos, embora cansados, vivos em terra firme. E olharmos para o outro, que quase nos afogou (ou nós é que nos debatiamos em vão) sob outra perspectiva.

Não com raiva, mas compreensão, buscando um novo jeito de navegar. Num balanço sereno, que respeite as nossas feridas e traumas, mas também o direito de o outro ser o outro. E não o que nós projetamos.

É só quando mudamos as nossas projeções que podemos deixar a boia de lado, não porque a maré está calma, mas porque aprendemos a nadar e olhar aquela grandeza assustadora com os outros olhos.

E tudo bem se houver apatia, e você quiser nadar pra longe.mas deixar de culpar o outro por expectativas que nós criamos ou por laços rompidos com o tempo, é também dar chance para um novo amor nascer, de outra forma, gerando novos laços. E um navegar mais cadenciado, sem solavancos, sem naufrágios e sem culpados.

E como bem cantou Pitty

“Não é minha culpa a sua projeção
Aceito a apatia se vier
Mas não desonre o meu nome”

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Jornalista e bacharel em turismo, com especialização em marketing estratégico e gestão de turismo e hospitalidade, com dezoito anos de experiência na Baixada Santista. É editor-chefe da Revista Nove e do Guia Comer & Beber e colunista de Turismo e Gastronomia da Revista Mais Santos. Aquariano e inquieto, se aventura nas crônicas e poemas e está às vésperas dos 40.
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