fbpx

Darlan, Daniel e Daiane

Anderson Firmino

Por Anderson Firmino

darlan
Fernando Frazão/Agência Brasil

Sim, admito. Ainda apresento sintomas de TPO (Tensão Pós-Olimpíada). Vasculho os canais de esportes atrás de uma competição olímpica. Tanto faz a modalidade. Não encontro, claro. O jeito é revisitar reprises das emoções de Tóquio. E a jornada de 18 dias traz à mente três nomes que têm a mesma letra inicial em comum, mas que geram reflexões diferentes.

Darlan Romani não obteve medalha em Tóquio. Ficou em quarto lugar no arremesso de peso. Mas ganhou a torcida com seu carisma e jeito de Sr Incrível, o pai da família de super-heróis da obra da Disney/Pixar. Quem discorda? Afinal, o atleta que mora em Bragança Paulista emanava amor à filha, com um gesto carinhoso de coração com a ponta dos dedos a cada aparição na telinha. E foi o retrato do esforço do atleta brasileiro, ao construir um platô para praticar o seu treino, num terreno baldio, ainda no início da pandemia.

Acabou premiado pela torcida. Uma vaquinha virtual já arrecadou mais de R$ 260 mil para dar uma força para Darlan – mais do que o prêmio pago pelo COB pela medalha de ouro. O atleta, que já era conhecido do público quando mandou sua Kombi para o quadro Lata Velha, do Caldeirão do Huck, ganhou ainda mais: reconhecimento. 

darlan
Foto: EFE/Fernando Bizerra

E quantas Kombi pode comprar o lateral-direito Daniel Alves, do São Paulo? O capitão da seleção olímpica de futebol, que ganhou o ouro em Tóquio, é recordista em títulos na carreira – 43, ao todo. Os craques da CBF mostraram, mais uma vez, que o futebol é um mundo à parte no Movimento Olímpico, ao descumprirem acordo para utilização do uniforme de pódio da empresa fornecedora do COB, privilegiando a fornecedora da Seleção na hora sagrada de receber a medalha. 

O ato pode gerar problemas para o COB junto à empresa – e por tabela, a muitos atletas olímpicos do Brasil. E Daniel, o capitão, não questionou – tampouco fez força para impedi-lo. Coube aos jovens Bruno Guimarães e Matheus Cunha justificarem a transgressão como fruto de um “momento de euforia” – e pedirem desculpas. Daniel Alves, nem isso. Está com o burro na sombra, celebrando o seu ouro de tolo. 

Ouro que Daiane dos Santos não conseguiu em suas participações olímpicas. O som de Brasileirinho durante suas apresentações no solo ainda está fresco na memória de quem vibrou com o baile de favela de Rebeca Andrade, a dona da p… toda em Tóquio (um ouro e uma prata). Mas, como comentarista, ela mereceu, sim, uma medalha. 

PUBLICIDADE | ANUNCIE

PUBLICIDADE | ANUNCIE

Lúcida, precisa, sensível. Era a expressão da alegria diante das conquistas de Rebeca, e chorando com emoção ao relembrar a trajetória da nova “namoradinha do Brasil”. Origem humilde, negra, filha de uma mãe solo. Como tantas meninas que lutam, dia após dia, para vencer a resistência de uma sociedade que insiste em jogar contra, com preconceito e exclusão.

Três nomes distintos, com realidades distintas, mas em comum a letra D. De determinação, de descaso, de delicadeza.

LEIA TAMBÉM
Anderson Firmino
Últimos posts por Anderson Firmino (exibir todos)
5 1 vote
Classifique este artigo
Assine
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais antigos
Mais novos Mais votados
Comentários em linha
Exibir todos os comentários
Narriman
Narriman
3 meses atrás

Amei o Tensão Pós-Olimpíada haha 🙂 Mas eu me sinto do mesmo jeito e já estou me preparando para acompanhar as Olimpíadas de Inverno 2022.

Scroll to top
1
0
Eu quero saber a sua opinião. Comenta aqui em baixo e vamos discutir esse assunto!!x
()
x