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Márcio Cabral: O Empreendedor e a Identidade Visual da marca

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Muitas coisas inusitadas acontecem no dia-a-dia de uma agência de publicidade. Mas, entre todas, a que mais acontece são empreendedores, de todas as idades e graus de experiência, que chegam ao escritório afirmando que a agência anterior os roubou. Já calejado nesse assunto, pergunto o motivo de tal afirmação e a resposta é sempre a mesma: a identidade visual da minha empresa não ficou do jeito que pedi. Ora bolas. É mesmo? Conte-me mais sobre isso.

Brincadeiras à parte, é tão comum de acontecer isso que resolvi investigar as causas de tanto dessabor entre agências ou designers e empreendedores. Talvez investigar seja dourar a pílula. Porque a resposta é mais do que óbvia e não exige duas horas de investigação. E pode ser dividida em alguns pontos, que vou listar abaixo:

1. A maioria dos empreendedores acha besteira investir numa boa identidade.

Sim. Construir uma boa identidade visual para o seu negócio é caro. E é caro por que demanda pesquisa e tempo para desenvolver, utilizando os serviços de bons profissionais, que possuem anos de experiência no assunto. Haha. Esse seria o sonho molhado do designer profissional. Mas infelizmente, boa parte dos empreendedores resolvem contratar o serviço pelo preço, o que, em geral, resulta em projetos que não primam pela qualidade. Entendo que, num ambiente como o mercado brasileiro, onde o empreendedorismo se dá mais pela necessidade do que pela busca de uma realização, investir pesado na marca da sua empresa acaba não sendo uma possibilidade. Mas uma identidade ruim pode causar tanto mal pra marca quanto os impostos do Brasil causam pro bolso.

2.O empreendedor não sabe o que pedir para o profissional.

Mesmo aqueles que compreendem a importância e investem na criação de identidade visual da sua marca, não sabem o que pedir quando chegam na reunião. Não digo que o empreendedor do mercado de turismo, por exemplo, deva saber os meandros e princípios do design gráfico. Mas ele deveria saber expressar a sua ideia de o que é a sua empresa, o que ela faz e para quem ela vende muito melhor do que geralmente consegue. Assim, o briefing acaba ficando capenga, e isso se traduz em um projeto com resultado frustrante. Aqui, façamos um mea culpa. Muitas vezes, o próprio profissional não elabora um briefing a prova de clientes evasivos, ou simplesmente não tem paciência para tirar do cliente o máximo de informações que vai precisar. A você, designer, eu recomendo paciência e não tenha medo de voltar ao cliente para fazer mais perguntas. Mas divago.

3. Gosto pessoal não gera boas marcas.

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Nunca me esqueço de uma cliente aqui da agência que queria construir uma empresa que produzia alimentos VEGANOS a base de carne de JACA. Mas queria porque queria que sua identidade visual fosse toda rosa. Mas por que? Por que rosa era sua cor preferida. 

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Veja. Rosa é a sua cor preferida? Empolgante. Ela vai deixar claro para o seu cliente, numa gôndola de supermercado, o que é a sua marca? Certamente que não. É fundamental que se separe gosto pessoal do que funciona para o seu projeto. Sempre lembro do caso da Camila Farani (sim , A Camila Farani) que disse ter perdido R$ 250 mil por ter aberto uma cafeteria toda em tons de lilás, o que fazia o público entrar lá achando se tratar de uma loja de doces.  Esse é o motivo pelo qual você já está pagando o designer: ele sabe que cores escolher para o seu projeto ser identificável de cara pelo cliente. Ofereça a ele seu gosto pessoal, mas lembre-se que a marca deve falar mais alto do que o seu dono. De outra forma, você vai perder dinheiro. 

Por fim, um ponto mais raro, mas que acontece: “criei minha identidade com você, mas não estou vendendo. Você me enganou”. 

Ora. A identidade visual em si não vai garantir que você obtenha mais vendas. Ela ajuda a estabelecer a identidade do seu produto. Você sabe que o McDonald ‘s é vermelho e amarelo e não o confunde com o Burger King exatamente por isso. Mas o que vai te fazer ter destaque no mercado é a forma de atender ao cliente, o seu preço, a pesquisa que você fez para escolher o ponto da sua loja, as ferramentas de marketing que você usa (e que precisam também contar com um projeto de identidade bem feito) etc. etc. etc.  A Identidade Visual é apenas o primeiro (grande) passo para isso.

Não existe um antagonismo real entre o designer contratado e o empreendedor. Deve-se sempre alinhar as expectativas de quem paga e de quem cria, a fim de se criar uma boa relação comercial. Minhas recomendações aos profissionais eu já dei no item 2. Aos contratantes, eu recomendo que, antes de contratar um BOM profissional, faça a pesquisa sobre o que é a sua ideia, a que público ela serve e o que você pretende alcançar com a sua marca. 

Assim você evita desgastes desnecessários e faz desse profissional um aliado na busca do crescimento da sua marca.

PS.: Para aqueles que querem empreender e não sabem como, recomendo este workshop. Eu fiz, e vale cada centavo.

PS2.: E para aqueles empreendedores que querem aprender sobre como contratar um serviço de design gráfico, recomendo este curso aqui, que, não por coincidência, eu lecionarei.

**Este texto não, necessariamente, reflete a opinião do 40EMAIS.

Fotos colunistas Marcio Márcio Cabral é designer gráfico, cineasta e publicitário. Atua na área de design há mais de dez anos. Atualmente, é diretor criativo na Agência IAP Propaganda.

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