Naquela manhã

Luiz Cláudio de Santos

Por Luiz Cláudio de Santos

manhã manhã


Buenossss.

Querem saber, tenho sentido falta de compor. Fiz apenas duas canções desde o início dessa famigerada pandemia. Com toda certeza, não foi por falta de assunto. Mas, como sempre digo, não fui eu que escolhi a Música, foi a Música que me escolheu. 

Então, aguardo vir inspiração, às vezes vem quase todo dia/noite, às vezes fica assim, tempão sem vir nada. E nessas fases, sempre vem junto aquele medinho de nunca mais escrever nada. Complicado. 

Mas tento não pensar muito nisso e tocar o baile, literalmente. Estou preparando um novo trabalho, já falei sobre isso em colunas passadas, com canções já existentes, acho que vai ficar bom. Mas gostaria de fazer coisas novas. Se não me engano, foi Manuel Bandeira que deu essa dica incrível: você escreve uns versos (no meu caso, até fazer uma canção) à noite, madrugada, cheio de vinho na cabeça e acha que o resultado ficou lindíssimo, maravilhoso. Beleza. Mas no dia seguinte, sem falta, sóbrio, talvez de ressaca (o que acirra o espírito crítico, graças ao mau humor) leia os versos, ouça a canção e aí você terá a dura realidade, que aliás pode ser ‘bad ou good news’. 

Então. Escrever, a gente escreve sempre. Mas ficar bom, aí são outros quinhentos. E eu, grazie a Dío, sou chato pra danar, não tem arrego, a canção tem de estar pelo menos bacana. Pois é.

Depois que passar o carnaval, a festa ‘católica profana’, vou realizar meu primeiro videoclipe, estou muito ansioso e feliz. Com uma canção que fala justamente sobre essa coisa de compor, como isso funciona. 

Acho que vai ficar legal. Minha querida Catarina Bertholini e seu amor/Vinicius Salgado irão dirigir. E estamos quase fechados da locação ser numa esquina altamente significativa pra mim, onde cresci e comecei a me conhecer por gente, como se diz, ali na Pedro Lessa com Felipe Camarão. Vamos que vamos.

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Aliás, falando em compor. Antes de ontem, o meu querido Danilo Nunes, compositor, ator de mão cheia, músico, etc. e tal, me honrou com o convite para participar da gravação de seu programa de radioweb e que agora irá para a tv, ‘Sacada cultural’, ao qual aceitei de bate-pronto e que aconteceu ontem. Danilo diz que fui um de seus principais – ou até o principal – influenciadores para que seguisse a carreira de músico, o que muito me lisonjeou, obrigadíssssimo.

O programa foi num horário que não me é muito prezado, de manhã, quase perdi a hora. Levei o violão, esqueci o cabo pra plugar. Coisas da manhã, sooono. E lá estávamos no estúdio do Canal 1, Danilo, eu, o menino e a menina da técnica, muito bons em seus trabalhos, um cara que conheci ali, grande figura, Allen Habert, diretor de articulação nacional da CNTU – Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados, ufa. O Allen é aquele paulistano que fala em paulistano, muito gente boa. Papo maravilhoso. Cultura pura. Cantei duas composições minhas. Mas ……….

Quem mais estava?

Aaaahhhh.

Meus querides, estava ali também um semideus. O cara. Eu quase que não acreditava. Mas esse Danilo é porreta, mesmo, hein? Ali, no telão, linkado desde o Rio de Janeiro, Mr. Roberto Menescal. Só isso. Mr. Bossa nova, uma das, senão a maior influência em minha humilde música. O autor d’O barquinho’. ‘Ponte que partiu’ mil vezes.

Pasmei. Mas segurei a onda, pra não ficar chato. E ali fiquei vendo e ouvindo aquele senhor de oitenta e quatro anos, vivaço, lúcido, bonitão. A história viva. Meu dia já estava ganho. Mas aí, do nada, ele vira e diz com todas as letras: ‘Pois é, então, essa canção que o Luiz Cláudio cantou agora há pouco, linda canção’.

Quase desabei. Minha cara deve ter ficado engraçada. Fiz um comentário na sequência pra disfarçar, mas como disfarçar um elogio de um Roberto Menescal? 

A canção chama ‘O resto é companhia’, é minha e do grande poeta Jair de Santos Freitas. 

Disse que já havia ganhado o dia. Pois é. Depois dessa, a semana está ganha. Obrigado, meu camarada Danilo.

Besos a todes, inté.

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Paulo Cézhar Luz
Paulo Cézhar Luz
2 meses atrás

Negron, você me conhece há tempos e sabe como sou teimoso pra certas coisas. Compor, no meu caso, já dependeu da inspiração, outra época trabalhei por obrigação profissional ( músicas para teatro), ter a melodia e depois outro artista colocar os versos. Ou me darem uma letra para ser construída a melodia. Portanto, a inspiração é parte do negócio. Quem sabe, ao menos no particular, se tenha de praticar a composição, mesmo que o resultado final não seja lá aquelas coisas. Porém, de uma tentativa não tão bem sucedida, pode se originar algo melhor. Já tive composições que nem sequer terminei e, no ato de refazer, surgiu um produto mais bem acabado. A ansiedade em logo de cara fazer uma obra prima pode determinar o tal branco na hora de criar.

Barbara
Barbara
2 meses atrás

Instrumentos, composição… haja ossos neste ofício hehe

quanto ao final do texto…

Ja me emocionei ontem quando soube e agora ao ler novamente hehehe você é incrível e me dá paz de espírito que as pessoas estejam vendo isso como eu sempre vi! Tô muito muito feliz por você! Cheia de orgulho! Love tu.

Bruna Pereira
Bruna Pereira
2 meses atrás

Os bons se reconhecem!

Rosali Toledo
Rosali Toledo
2 meses atrás

Receber um elogio de Roberto Menescal deve ter sido muito emocionante. O resto é companhia é uma canção incrível. Mas, insistindo mais uma vez, você tem que divulgar suas criações.

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