O Jeito Santista de ser…

Selma Cabral

Por Selma Cabral

Santista
Rogério Cassimiro – MTUR

Essa semana Santos comemorou 476 anos mais precisamente no dia 26 de janeiro.

E se tem uma cidade linda e cheia de encantos é Santos.

Cidade de praia, privilegiada pelo sol e pelo mar de águas calmas, mas com infraestrutura de metrópole e repleta de belezas e atrações para todas as idades, o ano todo.

Assim é Santos, localizada em uma ilha, onde a cordialidade, a segurança e a diversidade de cenários se aliam a uma riqueza cultural, histórica e ecológica, transformando a cidade em um destino único, que encanta e apaixona.

E tudo isso a apenas 70 km de São Paulo, a maior metrópole brasileira, perto dos principais aeroportos nacionais e internacionais, e com fácil acesso por modernas rodovias.

Bela e esportiva, Santos é ainda uma das principais rotas de cruzeiros marítimos e se destaca no turismo de negócios, com um dos mais completos complexos de eventos do Brasil.
Apaixone-se também. Santos é mesmo um presente!

E quem é Santista da gema tem um jeito todo peculiar de ser e de se comunicar que é o nosso diferencial:

1. Trocamos o pronome você por tu, mas mantém o verbo na 3ª pessoa do singular (tu vai – ao invés de tu vais);
2. Usamos os canais como referência, ao invés de fornecer o nome da avenida ou rua;
3. Pedimos média, quando vamos à padaria comprar pão;
4. Quase todo santista já tirou fotos nos leões de concreto dos jardins da Praia do Gonzaga;
5. Sabemos quem é Macaezinho;
6. Fizemos promessa para Nossa Senhora do Monte Serrat, a padroeira da cidade;
7. Sabemos que o tamboréu é um esporte originário de Santos;
8. Namoramos nos jardins na orla;
9. Chamamos o Centro Histórico de Cidade;
10. Temos orgulho de morar na cidade que possui o maior porto da América Latina;

11. Sabemos a diferença entre siri e caranguejo;
12. Conhecemos os prédios tortos da orla;
13. Gostamos de caminhar à beira-mar;
14. Só vamos à praia com tempo bom;
15. Chamamos de ‘paulista’ todos os que vão à praia em dia de chuva;
16. Levamos as crianças para brincar na Fonte do Sapo, na Praia da Aparecida;
17. Vamos à Vila Belmiro para torcer pelo melhor time do mundo (há exceções, claro!);
18. Temos orgulho de ver a saída dos navios, na Ponta da Praia;
19. Sabemos diferenciar os canais que cruzam a cidade.

É ou não é nosso jeito santista de ser e como temos orgulho de ser santistas!

E como não podemos deixar de nos orgulhar e divulgar aos quatro cantos do mundo as nossas belezas. Vou destacar um dos meus lugares favoritos e que tenho muitas recordações maravilhosas:

O Centro Histórico:

História de Santos

A região do centro histórico de Santos começou a ser povoada em 1540, por colonizadores que vieram na mesma expedição de Martim Afonso, fundador da cidade de São Vicente. Ele distribuiu terras que ficavam ao redor da ilha de São Vicente. O lugar onde ficava Santos foi dado a Brás Cubas.

Foi na região onde fica o Outeiro de Santa Catarina que o povoado começou, se tornando Vila de Santos em 1545. Existem hipóteses de onde tenha vindo seu nome, como da Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos, a primeira Santa Casa do Brasil.

O porto foi mudado de lugar, saindo da Ponta da Praia e indo para a frente do Outeiro de Santa Catarina. Com a evolução, a vila se transformou em cidade graças a José Bonifácio, que resolveu aprovar a lei que eleva a vila de Santos à condição de cidade em 1839.

A cidade passou pelas 3 fases de categorias urbanas: Povoado (1540 – 1546), Vila (1546 – 1839) e Cidade (1839 – dias de hoje). Mais sobre a história vocês vão ler ainda nesse artigo de acordo com as atrações do centro de Santos.

Arquitetura do Centro Histórico de Santos

O desenvolvimento do centro histórico de Santos demorou décadas e durante esse tempo sua arquitetura passou por diversos estilos, de acordo com os imigrantes que iam chegando ao país. Dos quase 480 anos da existência de Santos, 280 deles foram passados durante o período colonial.

Diversos estilos arquitetônicos estão presentes nas construções do centro histórico de santos, se destacando o estilo barroco, utilizado muito nas construções dos séculos XVII e XVIII.

Também é possível achar edifícios no estilo Eclético (Teatro Coliseu), Neogótico (Catedral de Santos), Neoclássico (Casa da Frontaria Azulejada), Neo Renascentista (Estação do Valongo) e Belas Artes (Bolsa do Café).

Bonde turístico de Santos

Dá para conhecer o centro de Santos de bondinho, mas não é possível descer dele para conhecer as atrações. Mesmo assim vale a pena percorrer o centro de Santos dessa forma, que era o meio de transporte utilizado na cidade há muitos anos.

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Rogério Cassimiro – MTUR

São 40 minutos de passeio e 5 km de trajeto pelo centro histórico de Santos. Durante o passeio de bonde, um guia vai contando a história de cada ponto.

Horários:

  • Terça a sexta/domingos e feriados: 11h às 17h (saídas a cada hora cheia);
  • Sábados: 10h20 às 17h (saídas a cada 40 minutos).

Um bom ponto para começar o roteiro é pela Cadeia Velha de Santos, que fica bem ao lado da rodoviária da cidade. Divida o roteiro em 1 ou 2 dias de acordo com sua disposição.

Principais atrações turísticas do centro histórico de Santos:

Cadeia Velha de Santos

A Cadeia Velha de Santos também é chamada de Casa de Câmara e Cadeia. Sua construção começou em 1839 e por ela já passaram figuras importantes como o Imperador D. Pedro II e a Princesa Isabel. Além disso, já funcionou como fórum, serviu de abrigo para as tropas que participaram da guerra do Paraguai e como cadeia, é claro.

Quase foi demolida na década de 50, mas conseguiu escapar da demolição dando espaço a um museu histórico e pedagógico. Em 1994 deu lugar a Oficina Cultural Regional Pagu, com cursos de formação artística.

Porém, tiveram que cancelar as atividades da Oficina Pagu, dando lugar a Agência Metropolitana da Baixada Santista e as aulas de musicalização do projeto Guri.

Monte Serrat

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Rogério Cassimiro/MTur

O casarão foi construído no alto do Monte Serrat e tinha como funcionalidade um cassino. Com a proibição dos cassinos no país em 1946, ele passou a exercer outras atividades, como por exemplo, servindo de espaço para eventos.

A igreja que abriga a padroeira de Santos, é o segundo monte mais alto da cidade. Para acessar o local há um bondinho funicular ou uma escadaria com 415 degraus. Estando a 157 metros de altitude é o melhor local para ver a cidade de todos os ângulos e fazer fotos lindas! Dá para ver também o porto e matar a curiosidade de moradores e turistas. Lá do alto a vista é uma das melhores do centro histórico e do porto de Santos. 

Teatro Guarany

O Teatro Guarany foi o primeiro teatro a ser construído em Santos, em 1882. Sofreu um incêndio que quase o destruiu por completo. Uma obra de reconstrução começou em 2006, para então o teatro ser reinaugurado em 2008.

Junto com o Coliseu, o Teatro Guarany é um dos pontos turísticos mais bonitos da cidade. Inaugurado em 1882, passou por um incêndio em 1981 onde somente as paredes externas permaneceram intactas. 20 anos se passaram até que o prédio, totalmente reconstruído pela prefeitura em 2008, voltando assim à cena cultural da cidade. Além de lindo, o teto do teatro é uma atração à parte. Feito por Paulo Von Poser retrata o O Guarany, de José de Alencar.

Santuário de Santo Antônio do Valongo

Foi fundado em 1640 como um convento, mas só anos depois se tornou santuário. Ele é todo construído em estilo Barroco e já foi um dos principais santuários do Brasil. Em 1829 uma parte do santuário foi demolida para a construção da Estação do Valongo.

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Rogério Cassimiro – MTUR

Logo, todo o santuário estava ameaçado com o projeto da nova ferrovia que passaria bem por cima. Dizem que um milagre não deixou que a estátua de Santo Antônio saísse da capela.

Não teve força humana que conseguisse tirá-la do lugar, dessa forma, evitando a destruição de uma das principais e mais antigas igrejas do Brasil.

Museu Pelé:

O Museu Pelé conta a história de um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos. Foi construído no antigo Casarão Duplo do Valongo, que abrigou a Prefeitura Municipal e a Câmara, entre o final do século XIX e início do século XX.

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Rogério Cassimiro – MTUR

Inaugurado em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, guarda todos os troféus e medalhas do craque, camisas e chuteiras de campeonatos famosos em que fez história, conta toda sua trajetória e apresenta vídeos dos jogos mais marcantes de sua carreira. Até mesmo a coroa oferecida à Pelé está exposta aqui.

Nos mais de 4000m2, ficam expostas as conquistas, roupas e acessórios que pertenceram a ele. Para quem é fã de futebol e do Pelé, é um ótimo programa para se fazer no centro histórico da cidade de Santos.

Casa da Frontaria Azulejada

A princípio, a Casa da Frontaria Azulejada foi construída como uma casa de dois andares, em estilo neoclássico, para servir de residência e armazém do comendador português Manoel Joaquim Ferreira Neto.

Sua fachada é toda ornada de azulejos portugueses que chamam a atenção de todos que passam. Ela já serviu como residência, hotel e até depósito de cargas e adubos químicos. Foi desapropriada antes que causasse algum acidente, já que começou entrar em fase de deterioração, tendo algumas de suas partes sofrido desmoronamento.

Assim, entre 1996 e 2005 passou por diversas reformas e desde 2007 o sobrado abriga o Espaço Cultural Frontaria Azulejada destinado a receber atividades culturais.

Museu do Café e Bolsa do Café de Santos

Museu do Café

Um lugar que reúne tradição, arquitetura, história, sabores e aromas, assim é conhecido o Museu do Café. Instalado em um prédio de estilo eclético, com 6 mil m² e mais de 200 portas e janelas, o Museu do Café, inaugurado em 1998, é muito mais do que um local turístico que exalta o principal produto brasileiro de exportação do final do século 19. É uma experiência de variadas sensações, que vão do início do cultivo do grão até a consolidação do café como um dos símbolos nacionais.

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Rogério Cassimiro – MTUR

Exposições permanente e temporárias, obras de arte, mobiliário de época, loja temática e cafeteria que serve os melhores grãos de café – e até o mais caro e raro do país – são algumas de suas muitas atrações.

Conjunto do Carmo e Panteão dos Andradas

Fundado há 430 anos, o conjunto do Carmo é uma das mais antigas construções do barroco brasileiro. É formado pela Igreja dos Frades e pela Igreja da Ordem Terceira.

O Panteão dos Andradas fica no espaço da antiga portaria do convento e abriga os restos mortais do Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva. Além dele, estão os restos mortais de seus irmãos Antônio Carlos, Martim Francisco e Padre Manuel.

Apesar de ficar dentro do Convento do Carmo, o Panteão dos Andradas abre em horários diferentes, de terça a domingo das 11h às 17h. O acesso é gratuito.

Monumento a Brás Cubas

Inaugurado em 1908, o monumento a Brás Cubas homenageia o fundador de Santos. Fica na Praça da República e foi a primeira estátua a ser erguida na cidade.

Prédio da Alfândega

De frente para a Praça da República fica o Prédio da Alfândega de Santos. É o maior e mais importante do país, tomando conta de 24 municípios, desde o litoral norte de São Paulo até o Paraná.

Além disso, o prédio atual foi construído entre 1928 e 1934, após a demolição do edifício antigo e com a necessidade de ampliar as atividades da repartição.

É possível visitar o edifício que tem até um museu dedicado a mercadorias falsificadas. Ele se chama Museu do Contrafeito e abre aos sábados, domingos e feriados das 11h às 17h.

Casa do trem Bélico

A Casa do Trem Bélico servia para armazenar todo armamento utilizado na proteção da cidade de Santos. Foi construído entre 1640 e 1656, em pedra, óleo de baleia e cal, sendo o prédio público mais antigo da cidade.

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Rogério Cassimiro – MTUR

A construção foi tombada em 1937 pelo IPHAN. Em 2009 passou por sua última reforma e hoje abriga uma exposição permanente sobre armaria.

Outeiro de Santa Catarina

O Outeiro de Santa Catarina é o marco inicial do povoamento de Santos, onde a vila de Santos, quando ainda não era cidade, começou a crescer.

As terras dessa região pertenciam ao casal Catarina de Aguillar e Luiz de Góes, por isso o nome. Uma capela foi construída no lugar, em homenagem a Santa Catarina.

Brás Cubas, fundador da cidade de Santos, também construiu sua residência nesta região. Assim, próximo dali surgiu a primeira Santa Casa do Brasil, algumas igrejas e a partir disso Santos começou a se expandir.

O local foi saqueado por piratas em 1591, dessa forma destruindo a capela, essa sendo construída anos depois no alto da montanha.

Com o tempo o monte foi desaparecendo, por causa da extração de pedra e terra da região para o assentamento do Porto de Santos, assim sendo destruído totalmente em 1869.

O local ficou abandonado até 1985, quando já se encontrava muito deteriorado. Porém, foi revitalizado por 15 anos, até que no ano 2000 foi inaugurada uma praça ao lado do restante da construção. Atualmente abriga a Fundação Arquivo e Memória de Santos.

Teatro Coliseu

O Teatro Coliseu foi inaugurado em 1924, sendo o maior teatro da cidade. Ficou abandonado por mais de 10 anos entre a década de 80 e 90, mas voltou a funcionar em 2006. Hoje é palco de shows e peças teatrais famosas. Quando estiver pela cidade, veja a programação completa do teatro e tente assistir uma de suas peças.

Catedral de Santos

Também conhecida como a Catedral da Nossa Senhora do Rosário, sua construção começou em 1907. Foi toda projetada em estilo neogótico pelo arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl, o mesmo que projetou a Catedral de São Paulo.

Na entrada, as estátuas de São Pedro e São Paulo estão imponentes. Em 1925, o Papa Pio XI criou a Diocese de Santos, dessa forma elevando de igreja a catedral. A catedral é bem concorrida quando se pensa em lugares para se casar em Santos.

Praça Mauá e Palácio da Prefeitura

Ponto de encontro e marco zero da cidade, a Praça Mauá surgiu em 1801 e chamava-se Lardo da Misericórdia. Teve seu nome mudado para o atual em 1887 e até hoje abriga as sedes do poder executivo e legislativo do município. O prédio da prefeitura, como pode ser visto na foto acima, tem acabamento em mármore italiano e jacarandá-da-baía, com lustres em cristal da Bohêmia. O gabinete do Prefeito e o Salão Nobre Esmeraldo Tarquínio apresentam estilo Luís XVI.

Onde comer no Centro Histórico de Santos:

Que tal aquela paradinha para comer algo gostoso antes, durante ou depois desse roteiro? O centro histórico de Santos abriga alguns restaurantes bem tradicionais na cidade, que funcionam há anos.

Café Carioca

O Café Carioca foi inaugurado em 1939, é tradição no centro histórico de Santos e não existe quem não o conheça, foi aberto primeiramente na rua Dom Pedro II, sendo transferido para frente da Prefeitura de Santos anos depois.

Assim, é famoso por seus sanduíches, destaque para os de pernil e claro, por seus pastéis. Era reduto de políticos, já tendo passado por ali João Goulart, Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Lula. Experimente o pastel de carne, um dos melhores.

Tasca do Porto

O restaurante português Tasca do Porto oferece tudo de bom da culinária lusitana. Como opções, por exemplo, tem o tradicional bacalhau, sardinhas, pastéis de nata e até uma noite de Fado no último sábado de cada mês.

O nome Tasca vem dos botequins portugueses e para entrar no clima, nada como tomar uma Super Bock, cerveja portuguesa, um vinho do Porto ou até mesmo a Ginjinha, famoso licor a base de cerejas.

Porta do Sol

Também conhecido como restaurante do Paquito, existe há mais de 50 anos no centro histórico de Santos.

Diariamente o próprio Paquito escreve à mão o menu, de acordo com os ingredientes disponíveis do dia. O restaurante é especializado na culinária espanhola e frutos do mar.

Tenho certeza de que todos vão gostar desses lugares. E quando puderem vão passear e não esqueçam de tomar um café na Bolsa (é assim mesmo que falamos)!

Uma ótima semana e até a próxima 😊

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