O silêncio das dunas

Inês Bari

Por Inês Bari

dunas


Bem no meio das dunas. Das areias sem fim. Não havia norte, sul, leste, oeste. Nem farol. Nem placa dizendo: atenção! Eu era apenas um pontinho na areia da imensidão.

O guia, sim, era um sujeito bem orientado. Nordestino. Arretado. Bom de Bugre e proseador. Mas aquela sensação de pequenez ficou guardada em meus olhos. Coube por inteiro, com um pouco de areia e vento, no meu vasto coração.

A gente do sudeste é acostumada com arranha céu. Vê beleza nos prédios imensos, cinzentos. Nas avenidas pujantes, de grandes aglomerações. Nos dão a ideia de imponência. Diversidade. A adrenalina da cidade. Ostentação!

Foi assim na semana passada quando visitei o Brooklin novo. Fiquei assustada. Shoppings, yuppies, lap tops, new looks, modernidades…

Imaginei ali o amigo Cirino, aquele nordestino que viveu desde menino nas dunas encantadas. Cheias de espaços e nadas. E das areias sem fim. Será que sentiria o mesmo medo e a pequenez que eu senti? Creio que sim…

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Mas ele diz que não! Disse que seu sonho era viver em São Paulo. Trabalhar na Avenida Paulista. Ganhar muito dinheiro. Como guia de turistas! E eu, neste exato momento, querendo a serenidade das dunas. Só areia pura. Sem fumaça. Nem poeira das ruas…

Vicente de Carvalho, em seu velho tema estava certo. “A felicidade que supomos, árvore milagrosa que sonhamos, existe sim; mas nós não a alcançamos, porque está sempre apenas onde a pomos. E nunca a pomos onde nós estamos.”

O Cirino quer sentir o ruído dos carros e das ruas. E eu, sonhando com o silêncio das dunas…  

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