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O vôlei e seus recados

Anderson Firmino

Por Anderson Firmino

vôlei


No meio do noticiário monotemático de esportes (salvo Olimpíada), duas notícias mereceram destaque – e logo de uma modalidade que deu tantos títulos para o Brasil nas últimas décadas: o vôlei. Elas revelam situações impensáveis, mas que precisam ser ouvidas de forma atenta. 

A primeira veio em mais um desabafo da atleta de vôlei de praia Carol Solberg. Ela, que já foi ameaçada de suspensão por criticar em público o presidente em alto e bom som, durante um evento, voltou a mostrar sua postura crítica no final de semana, lembrando as 600 mil vítimas da Covid-19 num país que finge uma retomada plena, mas que não zerou os casos (nem está perto disso, ainda), além de outras questões. 

“A gente não pode esquecer… A gente completou 600 mil mortes por covid. Acho que os torneios não podem passar sem a gente estar falando sobre isso. A gente tem um presidente que está defendendo o tratamento precoce nessa altura do campeonato (…) A gente viu o presidente vetando nesta semana a distribuição gratuita de absorvente para meninas em total situação de vulnerabilidade. Eu fico muito triste, O Brasil para mim é um país maravilhoso. Eu tenho maior orgulho de tanta coisa que o Brasil representa. Mas me dói muito ver esse momento, sabe? Eu sou atleta, adoro estar aqui jogando, mas eu não entro em quadra e fico alheia a tudo que está acontecendo. Então me dói muito. Eu estou aqui como cidadã, como atleta. Esse é um momento muito duro. Obrigado pela torcida e toda minha solidariedade às famílias que perderam seus amores, seus parceiros para essa coisa horrível da covid”.

O posicionamento enfático de Carol é exceção no esporte brasileiro. Se for falar de futebol, então, menos ainda. Por isso cabe o destaque. Que sirva de convocação para os seus pares. 

O outro recado é dado por um cara que é “somente” tricampeão olímpico como técnico no vôlei de quadra. Zé Roberto Guimarães ganhou ouro com os homens (Barcelona) e as mulheres (Pequim e Londres). E, mesmo assim, pede ajuda para a manutenção de um projeto de formação de vôlei. 

A vaga na final do Campeonato Paulista feminino veio exatamente no dia em que o projeto de vôlei em Barueri, criado por ele, completa cinco anos e que, atualmente, não tem um patrocinador.

“É um motivo de muito orgulho porque minha família, esposa e filhas se dedicam muito. Muita gente tem nos ajudado e apoiado. Precisamos de ajuda e apoio para esse projeto tão bonito não morrer (…) O objetivo é que elas joguem e sejam mulheres empoderadas, mas que possamos dar oportunidade para elas serem mulheres para o mundo. O mundo é delas, que aprendam e evoluam porque essa é a chance da vida delas”, afirmou o técnico. 

Duas entrevistas, dois profissionais vitoriosos, uma certeza: o esporte não é (e nem deve ser) uma bolha. 

Em tempo: na NBA, a Liga Profissional de Basquete dos EUA, o Brooklyn Nets suspendeu o contrato do astro Kyrie Irving por se recusar a tomar a vacina contra o covid, o que inviabiliza sua participação nos duelos em locais onde é exigida a imunização completa. Se a moda pega….

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