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Outubro rosa: ciência e informação são principais aliadas contra o câncer de mama

Érika Klann

Por Érika Klann

câncer de mama


Apesar da importância de não nos limitarmos a falar sobre o câncer de mama apenas em outubro, era inevitável não incluir este tema na coluna deste mês.

O desenvolvimento do câncer está relacionado a mutações que ocorrem em genes responsáveis por proteínas envolvidas na regulação da divisão celular ou da morte celular programada. Essas alterações resultam em uma divisão celular anormal ou uma morte celular retardada, fazendo com que essas células cresçam descontroladamente e formem o tumor. 

Esse crescimento desordenado de um grupo de células está associado a uma gama de características inerentes ao indivíduo e a inúmeros fatores de risco, como hereditariedade, tabagismo, obesidade, sedentarismo, má alimentação entre tantos outros.

É uma doença em crescimento mundial e que mata cerca de 10 milhões de pessoas por ano. São conhecidos, hoje, mais de 200 tipos de neoplasias e podem ser encontradas em qualquer parte do nosso corpo, sendo as mais incidentes a de pele não-melanoma, de próstata, mama, colorretal e pulmão.  

Existe ainda muito medo e, também, falta de informação acerca da doença, sendo encarada, na maioria das vezes, como uma sentença de morte. Mas a notícia boa é que, na última década, avanços da ciência e da tecnologia possibilitaram novos métodos e ferramentas no diagnóstico e tratamento da doença, além de cirurgias minimamente invasivas, melhorando a qualidade de vida e aumentando as chances de cura. Abriu-se uma nova perspectiva no combate ao câncer com a identificação precoce de tumores e a introdução de novas terapias e medicamentos.

Tradicionalmente, o tratamento do câncer baseia-se na quimioterapia, radioterapia, cirurgias e transplante de medula óssea (no caso das leucemias). Estes métodos evoluíram nos últimos anos e foram complementados com tratamentos alternativos, como a imunoterapia. 

No campo diagnóstico, o desenvolvimento de equipamentos e exames cada vez mais sensíveis e precisos vêm permitindo a identificação precoce de tumores, possibilitando avanços expressivos no controle da doença.

O uso de marcadores moleculares como indicadores do estado fisiológico durante a progressão do câncer, por exemplo, é uma importante ferramenta na determinação do melhor tratamento para o(a) paciente.

No campo terapêutico, a imunoterapia surge com grande potencial e expectativas positivas, assim como a hormonioterapia.

Na imunoterapia, são administrados no(a) paciente medicamentos específicos (imunoterápicos) que auxiliam o próprio sistema imunológico da pessoa a reconhecer e destruir as células tumorais com mais eficiência. A imunoterapia, em muitos casos, é realizada junto à quimioterapia. 

Em 2013, segundo a lista elaborada pela revista científica “Science”, o uso da imunoterapia no combate ao câncer foi considerado o avanço científico mais significativo do ano dentre os dez feitos científicos mais importantes.

Outro tratamento promissor é a terapia-alvo direcionada através do uso de determinadas moléculas, como anticorpos monoclonais ou inibidores de proteínas, que agem especificamente nas células cancerígenas, causando pouco dano às células normais. 

A hormonioterapia também é uma terapia alternativa aos tratamentos convencionais de câncer. O tratamento utiliza medicamentos que atuam como bloqueadores de hormônios específicos usados pelas células tumorais para crescer, com o objetivo de impedir a proliferação das células tumorais.  

No campo preventivo, o sequenciamento genético possibilita analisar um aumento (ou não) das chances em desenvolver um câncer e iniciar exames preventivos ainda mais cedo do que o recomendado para a população em geral.

Os avanços científicos e tecnológicos também trazem novidades nos cuidados paliativos, na redução dos efeitos colaterais e no aumento da autoestima, como, por exemplo, amenizar a queda de cabelo.

Durante o tratamento oncológico, a queda de cabelo ou alopecia é um dos efeitos colaterais mais comuns e temidos, por impactar diretamente na autoestima e qualidade de vida, principalmente das mulheres.

A alopecia acontece pela semelhança no comportamento biológico (reproduzem-se rapidamente) das células tumorais e dos folículos pilosos (raiz do cabelo), característica alvo dos quimioterápicos.

Na busca de amenizar a queda de cabelo, foi desenvolvida uma touca térmica, que utiliza a técnica de resfriamento do couro cabeludo. 

A técnica consiste em uma touca ou capacete contendo um sistema de resfriamento da água a uma temperatura média de -20ºC, e circulação desta pelo couro cabeludo. O frio provoca vasoconstrição dos vasos sanguíneos, diminuindo o fluxo de sangue no local e, consequentemente, o do quimioterápico também, reduzindo a sua ação sobre os folículos capilares e diminuindo a queda de cabelo.

Durante a utilização da touca, pode haver reações, como dor de cabeça e frio intenso na região do couro cabeludo.

O tratamento crioterápico não é indicado para todo paciente e o resultado varia bastante, dependendo das características do(a) paciente, dos quimioterápicos utilizados e suas doses. Mas tem sido uma esperança por mais sorrisos frente ao espelho.

A touca deve ser utilizada durante todas as sessões de quimioterapia e colocada 30 minutos antes da sessão e retirada apenas 90 minutos após o fim da sessão. Precisa estar sempre bem gelada e, por isso, deve ser trocada a cada 30 minutos.

Tantas perspectivas no enfrentamento do câncer trazem uma esperança diante das estatísticas preocupantes do número de casos da doença. Segundo a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), em um relatório publicado em fevereiro de 2020 através da iniciativa GLOBOCAN, a expectativa para 2020 era de uma incidência de cerca de 19 milhões de casos de câncer em todo o mundo, com 10 milhões de mortes.

A nós cabe a consciência da mudança para hábitos mais saudáveis e o autocuidado como prevenção. 

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