Paixão por escrever

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Escrever é uma paixão de menina… lembro que aos cinco anos e meio, meu sonho era aprender a escrever. Passava o dia fazendo “minhoquinhas” e rabiscos nos pedaços de papel que conseguia porque achava que era uma maneira divertida de passar o tempo. Não via a hora de entrar na escola para aprender a mágica de ter uma letra bonita, como a dos meus pais, e uma frustração me apanhou de surpresa quando descobri que na pré escola – no meu tempo – não se conhecia as letras. 

Então, como persistente e dona de uma insistência típica de canceriana, perturbei minha mãe até ela me ensinar a escrever meu nome…

Mas, a perseguição não terminou aí… não bastava apenas saber escrever meu nome. Eu queria mais. Por nascer em julho, fui para o primeiro ano escolar com seis anos e meio e aprendi a ler e escrever muito rápido. Adorava todo o ritual de fazer cópias intermináveis, errar no ditado e ter que repetir as palavras milhões de vezes! Havia um sentido de prazer em segurar o lápis e vê-lo deslizar sobre a folha do caderno. Acredito que deva ser semelhante a ideia que uma pessoa sente ao fazer um desenho ou criar uma peça artesanal.

Minha mãe sempre lia para mim e meu irmão quando éramos pequenos. No meu tempo de menina, havia uma publicação muito legal encartada no jornal A Tribuna, que era A Tribuninha. Era um jornal pequeno para crianças. Tinha a cara de um jornal de adulto, mas era para nós, crianças. 

Naquele tempo, não nos importávamos se havia ou não cor – pelo menos eu, não – ou se os desenhos precisavam ser em 3D ou se as imagens não eram em HD de última geração. O que importava é que tínhamos algo que parecia de gente grande para gente pequena. Então, toda segunda-feira havia uma leitura, além da cartilha, e também o mesmo jornal distribuía pequenos livrinhos de historinhas infantis, e dessa maneira comecei a gostar de ler em tenra idade.

O ato de escrever poesia chegou na adolescência, quando descobri num canto do armário alguns cadernos de capa dura feitos pela minha mãe durante sua juventude, com coleções de pensamentos de autores diversos. Aquela maneira singular de em uma única linha transformar uma ideia inteira me fascinava e melhor: me fazia pensar. Aos nove anos, li meu primeiro livro “grande” e eu ainda o tenho em minha estante. Na verdade, ele tem pouco mais de 60 páginas, mas abriu espaço para os seguintes. Fui uma adolescente que leu muito e isso levou-me a ser ainda mais curiosa, pois a leitura dá esse sentido de querer mais e mais.

         A minha timidez e dificuldade de falar aliada ao presente de aniversário perfeito – um diário – me fizeram começar a escrever diariamente. Então eram dois momentos distintos em que eu me descobria e treinava, com a vantagem de que ninguém sabia e isso dava um sentido de liberdade que continua permeando meu espírito até hoje. 

Escrever para mim é ser livre. É colocar em cada palavra um sentido, uma emoção, uma cor. Encontrei na poesia – apesar de gostar de escrever em prosa também – uma maneira mais simples de tocar o outro.

         Cursei jornalismo porque queria escrever. Apesar de atuar muito pouco tempo na profissão, aprendi com ela a ter mais clareza nas ideias e concisão nos textos. O fato mesmo é que desde muito pequena é na escrita que eu consigo me comunicar melhor com o mundo. É a minha maneira de contribuir e a forma como a vida me deixa feliz. As palavras o vento leva – como diz o ditado – mas os textos mantêm a história e os sentimentos.

         Casei e fiquei viúva num espaço tempo de dois anos e meio e em seguida virei mãe do coração do João. No ano de 1995, a internet começava a ganhar espaço e aprendi a fazer sites, conheci pessoas e criei meu blog, Poetando com Helena, onde passei a publicar meus poemas, textos e desabafos até chegar em 2017, quando publiquei meu primeiro livro solo Ser Feliz é uma escolha. E desde então, já publiquei mais dois: Hoje e Sempre (2019) e Alma de Mulher (2020).

         Escrever para mim é vida. Compor um texto me salva de meus demônios escondidos e dá luz ao meu modo de ser. A cada ano, sinto que isso me pertence mais e mais, como tudo em nossa vida é um processo de maturação que vai completando a vida. Sou entusiasta dessa geração que escreve muito. Produz e vai a luta. Acredito que o mundo precise muito de todos os tipos de ideias para que possamos ser cada vez melhores.

         Essa sou eu: Helena Fraga, 59 anos, mulher, empresária, mãe e escritora. Prazer!

Helena Fraga
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