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Rafael Motta: Eleições: chega ao fim um problema que nem existia

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“Com as Forças Armadas participando, você não tem por que duvidar do voto eletrônico. As Forças Armadas vão empenhar seu nome, não tem por que duvidar.” (Jair Bolsonaro, presidente da República, na quarta-feira, dia 6, em declaração reproduzida no portal Último Segundo, do iG.)

Se fosse possível escrever o que Bolsonaro dissesse, no sentido de que, “se ele falou, está falado”, pronto: estariam acabados de vez os ataques infundados, repetidos, desnecessários e geradores de confusão a respeito do voto eletrônico, cujo resultado só um grande nome contestou para valer: Aécio Neves, que perdeu a disputa pela Presidência da República pelo PSDB em 2014 por cerca de 3 milhões de votos e cujo partido reconheceria, mais tarde (e ponha-se tarde nisso), que tudo correu limpamente.

Há um motivo para acreditar que o presidente não tocará mais no assunto, e é a participação das Forças Armadas em uma comissão de transparência criada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para acompanhar o andamento da organização das eleições de 2022. Isso, claro, inclui a verificação da segurança das urnas eletrônicas.

Uma verdade é que nem haveria por que Bolsonaro ter feito caso da segurança do processo de votação. Afinal, as Forças já estiveram entre as instituições que puderam fiscalizar e auditar as urnas nas eleições do ano passado, para prefeito e vereador. E ninguém encontrou nada errado — provas, indícios, supostos hackers escondidos debaixo de mesas ou atrás de portas.

Mais ainda: entre 1995 e 1996, conforme reportagem publicada em julho pelo site R7, engenheiros de Exército, Marinha e Aeronáutica participaram do desenvolvimento do projeto das urnas. Um então capitão de corveta (portanto, da Marinha) desenvolveu o teclado, o monitor e o algoritmo (conjunto informatizado e matemático de procedimentos para solução de problemas que demandam operações) do modelo de urna ainda hoje utilizado no Brasil.

É difícil crer que o presidente da República ignore esses fatos. Se os conhece e, ainda assim, vinha criticando a honestidade do processo eleitoral, então atacava as Forças Armadas de maneira indireta, impondo às Armas mais um entre tantos constrangimentos que Bolsonaro as fez passar durante seu governo.

Qual era a preocupação daqueles militares, em conjunto com a Justiça Eleitoral, 25 anos atrás? Tornar a contagem dos votos mais rápida e limpa. É comum ouvir fiscais eleitorais que acompanhavam a apuração das eleições no tempo das cédulas, até meados da década de 1990, relatando que malandros de caneta metiam um ‘x’ no quadrinho de sua preferência, ou punham outro ‘x’ em algum lugar para invalidar um voto ou escreviam um número em uma linha não preenchida — aquela onde era preciso indicar o voto para vereador ou deputado.

 

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A entrega de uma papeleta para o eleitor ou o depósito de um comprovante impresso em uma urna de lona à parte, lacrada, para se contarem os votos e se compararem esses papéis com o resultado obtido de forma eletrônica são problemas que não atenderiam desejos de mais transparência na votação. Do contrário, levariam a dificuldades.

Duas possíveis encrencas: uma delas, a modernização do voto de cabresto, em que o eleitor teria de mostrar a outro interessado, sob ameaça, em quem votou, quebrando-se o sigilo da escolha; a outra, mal-intencionados dizendo que escolheram um nome, mas que a urna marcou outro, e assim estaria estabelecida uma confusão que só interessa a quem tem medo de perder. Em especial, de ser derrotado porque não trabalhou enquanto devia e só se mantém em evidência por estabelecer a baderna.

O link para a matéria sobre a ajuda militar na criação das urnas eletrônicas brasileiras é este: https://noticias.r7.com/brasil/votacao-com-urna-eletronica-foi-criada-com-ajuda-de-militares-17072021

**Este texto não, necessariamente, reflete a opinião do 40EMAIS.

Fotos colunistas rafael motta 1 Rafael Motta, nascido em Santos e jornalista formado em 2000, trabalha desde 1993, aos 14 anos, em veículos de comunicação da Baixada Santista e de alcance nacional (portanto, já está nos 40 e mais). É editor assistente de Cidades do jornal A Tribuna e autor dos livros ‘Tarquínio – Começar de Novo’ (Editora Leopoldianum, 2012, biografia) e ‘Catorze – A Via-Sacra de Erasmo Cupertino’ (Edição do Autor, 2020, ficção). Acredita que o exercício da política pode melhorar a democracia, pois está ao alcance de todos: não é preciso ter mandato para agir politicamente. E pensa que os políticos pagos com o nosso dinheiro devem satisfações à sociedade. Quando não nos dão explicações, devemos buscá-las. Um caminho é analisar o que fazem, para entender seus objetivos.

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