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São João

Helena Fraga

Por Helena Fraga

são joão


Fecho os olhos… o cheiro de pipoca misturado com quentão e vinho quente trazem até mim essa noite mágica e a mais longa do ano… 

Lembro-me da minha adolescência – no tempo que adolescentes tinham catorze, quinze anos… – e do alvoroço que fazíamos ao usarmos de todos os sortilégios para descoberta do que nos aguardaria nos próximos anos…

Sorrio ao pensar do alto da maturidade como podíamos mesmo acreditar que, se deixássemos um copo com água e uma clara de ovo no sereno da noite de 23 para 24 de junho, São João nos mostraria qual seria nosso futuro. Nunca dei muita sorte com minhas claras… No máximo criavam picos que pareciam uma imagem fantasmagórica, mas, a bondade das amigas e da mãe e da avó levava a imaginar as belíssimas torres de uma catedral – presságio de casamento!

Mas, atualmente, tenho mesmo pena da pobre faxineira do colégio… Estudei no São José e a capela era palco dos papeizinhos que encerravam o nome dos pretendentes; eram jogados na entrada, no meio até que o último era aberto em frente ao altar e o nome lá descrito seria o do futuro marido. Esse momento era precedido de choros de tristeza ou sorrisos de alegria, pois um dos Santos Juninos mostraria quem levaria nosso coração…

Os anos passaram e todas essas brincadeiras perderam-se, mas, a alegria das festas de junho não pode se perder. É uma parte rica da cultura do nosso país. Uma herança de nossos colonizadores.

E falando neles, termino este pedaço de hoje com a Festa de São João do Porto em Portugal, em 2014. Fizemos todas as contas para chegarmos à velha cidade, dois dias antes da mais famosa festa portuguesa.

Foi uma noite especial, à margem do rio Douro repleta de pessoas. Homens, mulheres e crianças comendo, bebendo e brincando à espera do momento áureo quando toda Cidade Invicta se apaga e o Rio transforma-se no palco. 

Naquele ano, o show de fogos de artifícios foi ao som e ao ritmo de helicópteros de Another Brick in The Wall do Pink Floyd. Emocionante. Um show pirotécnico de alto nível e um clima de amor no ar. Sem dúvida, aquele São João foi inspirador…

Aqui, todos os anos comemoramos a data. Primeiro porque João era o nome do meu avô, pai do meu pai, e este também é o nome do meu filho e não tem como passar esse dia sem celebrá-lo.

A pandemia encolheu o festejo, mas, comer pipoca, tomar vinho quente e saborear buraco quente assistindo filme na sala com a família reunida mantém o coração e a alma aquecidos. E, nesse tempo de distância não só física, mas, principalmente emocional, nada é mais acolhedor que uma festa junina – não importa o tamanho dela.

Afinal, “Vêm o Santo Antônio, depois São João e por fim vem São Pedro para a reinação”.

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