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Sessenta

Helena Fraga

Por Helena Fraga

sessenta


Cheguei aos sessenta… 

E aí passa um filme na minha cabeça… Fiquei dias pensando como foram as outras décadas até chegar aqui…

Quando fiz dez anos lembro-me apenas de que era uma garota gordinha e que meu bolo de aniversário foi um piano… Sim, um piano. Naquele tempo, os suportes onde se colocavam os bolos tinham formatos diferentes e minha mãe fez um piano de cauda lindo que repousava sobre um bolo que era um tapete branco felpudo – com certeza, lembro-me com detalhes não muito pelo piano, mas, porque amo coco ralado até hoje!

Aos vinte, eu havia declinado de um pedido de casamento; estava na faculdade e até aquele momento odiava festas. Devo ter apagado as velinhas em um almoço de domingo com a família…

Aos trinta, as coisas foram bastante emocionantes e pitorescas. Completei-os no parque da Disney sentada no gramado aguardando a Sininho tocar a torre do castelo e ter início a inesquecível e memorável queima de fogos de artifício. Mas, antes, milhões de pessoas cantaram Happy Birthday – não foi só para mim, mas, é meio como se fosse… Foi mágico, como os estúdios Disney conseguem ser. Virei Balzaquiana. 

Aconteceram muitas coisas – casei-me, enviuvei, virei mãe, operei o estômago, fiz um monte de cirurgias plásticas, pirei e despirei no melhor sentido. Com certeza, a minha década de 30 foi bastante agitada e um tanto sofrida, mas, fortaleceu minha vida e minha história.

Quando fiz quarenta anos o mundo tornou-se cheio de descobertas, principalmente como mulher. O meu corpo. O sexo. Quem era eu no mundo. Como eu sentia. O que sentia e escrevi os melhores poemas de amor passageiro que eu podia. No trabalho, eu tomei consciência de que era uma empresária. Voltei a estudar – o mundo parecia pouco. Vivia a maternidade e a mulher na mesma sinfonia da empresária e poeta. 

Aos cinquenta tomei consciência de que havia chegado onde muitos amigos não chegaram, inclusive o homem que mais amei…

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    Meio século tem um peso estranho… parece que você precisa tornar tudo o que não fez até ali, na realidade. O limite é não ultrapassar os limites do outro. A fé tornou-se mais presente e mais clara. As escolhas mais pensadas – pela maturidade fica claro que cada uma delas gera uma consequência.

Vivi intensamente meu meio século. Publiquei livros. Fiz lives, sobrevivi a uma pandemia, aprendi que o mundo é bom se você acreditar nisso e houve uma seleção natural de amigos e pessoas que orbitavam minha vida. 

Com essa sensação cheguei aos sessenta… O mundo está aí para mim… As ideias borbulham… As pessoas são mais reais – quem entra e quem sai passa a ser decisão exclusiva minha. A família é um porto seguro e a próxima década, um salto no escuro… mas, como todas sempre foram desde os dez anos de idade…

Nascemos e morremos basicamente sem mudanças… Nosso jeito de ser nunca muda. Pode sofrer alterações para nos adequarmos, mas sempre serei a menina sensível que chorava por nada… Gordinha, porque adora doce… Sonhadora, porque acredita no amor… Feliz, porque acredita em Deus…

A única coisa que mudou: agora gosto de festas e quero comemorar cada vez mais essa jornada maravilhosa chamada de vida!

Tim-tim!

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