Um texto sem roupa

Diego Brígido

Por Diego Brígido

Texto


É como me despir em público, um misto de fetiche com pudor, de excitação pela expectativa dos aplausos com medo de decepcionar pela [não] imponência da obra. Escrever sempre foi assim pra mim. Escrever não, publicar.

Escrever, apesar dos muitos bloqueios criativos — e dos sérios problemas com digitação — , normalmente é um processo que flui. Às vezes, tenho um texto pronto em meia hora. Um texto forte, profundo, daqueles tipo soco no estômago.

Depende. Depende do quanto de dor, de amor, de calor e de pavor. Mas, normalmente vem! Já publicar… Publicar é me expor e assumir que, de alguma forma, aquele texto fala sobre mim. Me despe! Me despoja!

E como explicar? À família, aos amigos, no trabalho, que tudo está bem? Apesar de não estar? Apesar do mal estar? Como dizer que, calma, aquilo não é sobre mim, apesar de ser? E pior, como dizer, que essa porrada no estômago ficou pronta em meia hora, entre alguns goles de negroni, sem ser julgado alguma espécie de poeta-alcoólatra-depressivo?

Escrever é amor, publicar é sexo. É bacanal. Escrever é pra você, publicar é pra geral.

Este texto não é sobre o medo de escrever, é sobre a dor de se expor. De perder amigos, trabalho e até um possível amor. É sobre a vergonha de se despir, de ser julgado, comparado, chacotado.

Porque um texto não é um texto se não estiver desnudo, exposto, visceral. Um texto pudico, tímido e com roupa é igual sexo sem beijo na boca, é como matinê de carnaval.

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