Um viva aos apelidos!

Ted Sartori

Por Ted Sartori

apelidos
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC

As boas atuações de Weslley Patati pelo Santos na Copa São Paulo de Futebol Júnior me fizeram lembrar o valor dos apelidos no futebol – e como eles são cada vez mais raros.

No caso dele, estão o nome e o apelido juntos. A inspiração direta é o palhaço que faz dupla com Patatá. O motivo vem das condições econômicas, usuais nas trajetórias dos jogadores de futebol.

Como não havia dinheiro para comprar chuteiras, o jeito era pegar pares maiores, emprestados de outros atletas. Por essa razão, ficava como aqueles sapatos de palhaço. Daí o apelido.

Vamos combinar que é muito melhor do que, por exemplo, Ricardo Goulart, novo contratado do Santos. Embora ele seja experiente e conhecido, trata-se de um nome mais formal, com a obrigação do sobrenome acompanhando, dentro de uma onda que se alastrou no futebol há algum tempo. E os sobrenomes ainda alargaram sua função para diferenciar jogadores com nomes iguais.

Rimar com Goulart é possível para a torcida. Mas fazer isso com Patati é melhor ainda. A própria história de como surgiu o apelido é um capítulo à parte para ser contado e saboreado. 

Por outro lado, dependendo da atuação do atleta, o apelido também pode se voltar contra ele. A lembrança de que Patati é por causa do palhaço pode render problemas a Weslley quando ele for mal em alguma partida, no momento em que chegar aos profissionais.

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Apesar do ônus, o bônus é muito mais vantajoso. Afinal, o que seria do nosso futebol sem Pelé ou Zico, para ficar em dois grandes exemplos? Junções de sílabas que, sem uma fantástica trajetória para emoldurá-la, poderiam não significar absolutamente nada e ficar no campo do exótico.

Até porque não teria a menor graça dizer que o camisa 10 do Santos dos anos 60 era o Edson Arantes ou que o meia, que vestia o mesmo número no Flamengo tempos depois, era o Artur Antunes ou Artur Coimbra, até para entrar nessa história dos sobrenomes. 

Tudo bem que há nomes de jogadores – aqueles que estão na certidão de nascimento – que merecem histórias para explicá-los. Como no caso do zagueiro Odvan, que defendeu Vasco e Santos, além da Seleção Brasileira. 

Trata-se de um nome incomum e até bem construído. Talvez fosse o único na época de seu nascimento, levando em conta que a inspiração direta tenha sido a música O Divã, de Roberto Carlos. 

O fato é que clamamos pela volta em profusão dos apelidos no futebol, sem ficarem restritos às resenhas entre os jogadores. Nome e sobrenome nas fichas técnicas das partidas são para os técnicos. Afinal, o espetáculo tem que continuar, com a graça de um Weslley Patati.

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