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Vacinas: gotas de esperança em 2021

Érika Klann

Por Érika Klann

Vacinas


O ano de 2021 começou reforçando a esperança que depositamos nele. No dia 17 de janeiro, tivemos, finalmente, a grande notícia da aprovação, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), do uso emergencial de duas vacinas contra o SARS-CoV-2 (o novo coronavírus): a CoronaVac e a de Oxford/AstraZeneca (Covishield).

Seguras e eficazes, elas são o símbolo da nossa esperança.

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Como bióloga, virologista e cientista que era, me sinto muito feliz e orgulhosa da Ciência, das nossas instituições brasileiras de pesquisa e dos nossos cientistas. Ainda precisamos de força, de tempo, de conscientização, de proteção, de uso de máscaras e álcool em gel.

Mas conseguiremos! Estamos só no início. Que os governos e a sociedade façam a sua parte. Que venha a vacinação e o controle dessa pandemia. Mas dentro dessa expectativa toda, muitas dúvidas ainda surgem…

As vacinas já fazem parte da nossa vida e sabemos que elas têm a função de nos proteger de micro-organismos, como vírus e bactérias, nos conferindo proteção contra uma doença. Mas as informações sobre como elas são feitas ou como funcionam ainda são pouco divulgadas e chegam a uma pequena parte da população.

Por isso, vou tentar aqui esclarecer de forma simples, mas sucinta, algumas questões. 

As vacinas são compostos biológicos formados principalmente pelo agente infeccioso ou por partes dele, e têm como função induzir nosso organismo a produzir anticorpos específicos e células de memória contra esse agente, conferindo imunidade a uma determinada doença. 

Existem vacinas que conferem proteção a uma única doença, as chamadas monovalentes. E outras que conferem proteção a mais de uma, como é o caso da vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba). Estas são classificadas como polivalentes.

Apesar do sucesso e dos efeitos comprovados, as atuais vacinas para prevenir a Covid-19 levantam novamente a discussão sobre a conscientização da importância da vacina.

Talvez, você mesmo(a) já tenha se perguntado por que as vacinas são tão importantes para a nossa saúde, não é?!

As vacinas atuam na defesa do organismo contra micro-organismos causadores de doenças e são uma forte ferramenta para o controle destas na população. Temos vários exemplos de doenças hoje controladas devido ao sucesso do programa de imunização, como sarampo, meningite, coqueluche, febre amarela, rubéola. E foi através da vacinação em grande escala que conseguimos erradicar a poliomielite no Brasil e a varíola no mundo.

Não há dúvidas de que a vacina é a mais eficaz, segura e principal forma de prevenção, tanto individual quanto coletiva, contra doenças, principalmente as infectocontagiosas.

A primeira vacina de que se tem registro foi criada no século XVIII pelo médico Edward Jenner, contra a varíola. Ao longo do século XX, muitas novas técnicas foram desenvolvidas e hoje temos diferentes tipos de vacinas, para inúmeras doenças.

Como citei acima, as vacinas são compostos biológicos formados basicamente pelo agente infeccioso, vivo atenuado (“enfraquecido”) ou inativado (“morto”); por partes dele ou ainda por toxinas produzidas por ele. Existem algumas substâncias, chamadas adjuvantes, que são adicionadas para aumentar essa função de estimular o nosso sistema imunológico a produzir anticorpos específicos àquele patógeno.

Uma grande novidade que temos é o surgimento de uma nova tecnologia para a produção de vacinas com o uso do RNAm do vírus. Tecnologia essa utilizada para o novo coronavírus.

Um grande medo que muitas pessoas têm é por tomar uma vacina contendo o organismo vivo. Mas, para a preparação da vacina, estes patógenos passam por processos em laboratório para que fiquem “enfraquecidos”, ou seja, eles ainda mantêm muitas das suas características, mas são incapazes de provocar a doença em pessoas saudáveis. Normalmente, vacinas produzidas com organismos vivos conferem uma imunidade duradoura. No entanto, são contra indicadas para indivíduos imunossuprimidos, como pacientes portadores de HIV, em quimioterapia, transplantados, com câncer ou em gestantes. Exemplos desse tipo de vacina são as que protegem contra sarampo, caxumba, rubéola, catapora e febre amarela.

As vacinas inativadas contêm o micro-organismo inativado, em laboratório, por agentes químicos ou físicos. São vacinas sem risco de causar a doença e, na maioria das vezes, precisam de mais de uma dose para induzir a uma imunidade completa. Além disso, podem ser administradas em pessoas imunodeprimidas e gestantes.  Exemplos desse tipo de vacina são as que protegem contra a hepatite A, gripe, meningite e raiva.

Temos as vacinas subunitárias que utilizam fragmentos dos patógenos, como, por exemplo, proteínas que são capazes de induzir à produção de anticorpos. Esses fragmentos, chamados de antígenos, são purificados em laboratório. A vacina contra o HPV (papilomavirus humano) é um exemplo desse tipo de vacina.

Algumas vacinas são ainda construídas através da engenharia genética, pela recombinação de DNA, e chamadas de vacinas recombinantes. Nestas, um micro-organismo funciona como vetor e é manipulado geneticamente para receber as sequências de DNA correspondentes às sequências do patógeno que produzem a proteína responsável por induzir o nosso sistema imune. A vacina contra a hepatite B é um exemplo.

Temos também a vacina chamada toxoide, que é aquela composta não pelo patógeno (normalmente uma bactéria) ou parte dele, mas sim por um produto do seu metabolismo, chamado toxina, que causa a doença. Essa toxina passa por um processo químico ou térmico para torná-la ineficaz em causar uma doença, mas sem perder suas características e capacidade de ativar o nosso sistema imunológico. Os principais exemplos desse tipo de vacina são as contra o tétano e a difteria.

Apesar de rara, nós temos ainda a vacina heteróloga, que é produzida com um micro-organismo que causa doença em outro animal que não o homem, mas é, geralmente, uma espécie de um mesmo gênero (como um “primo”) daquela que causa doença grave no homem, e que é capaz de induzir a uma resposta imune. A vacina que usa esse método é a contra a tuberculose, conhecida como BCG.

Geralmente, os antígenos que são capazes de gerar uma resposta imune forte são compostos por proteínas. Mas existem situações em que estas moléculas não são proteínas, mas sim gorduras ou açúcares, e, nestes casos, normalmente geram respostas fracas e não duradouras. Por isso, para que uma vacina seja eficiente, estes antígenos são associados a uma proteína, formando as vacinas conjugadas.

VacinasAgora você viu como temos diferentes composições para uma vacina e como já estão bem estabelecidas. Mas a Ciência está sempre em evolução. E uma novidade em tecnologia chegou com duas das vacinas para o coronavírus, a vacina genética utilizando RNAm (RNA mensageiro).

O fragmento do código genético do vírus que carrega as instruções para a produção da proteína responsável pela ativação do nosso sistema imunológico é identificado e produzido para compor a vacina. Após a absorção desse RNAm pelas nossas células, essa proteína viral passa a ser produzida e exibida na superfície das células (ou liberada na corrente sanguínea) para ativar o nosso sistema imune e produzir os anticorpos específicos contra aquele vírus. Esse fragmento de RNAm é envolvido por uma pequena capa de gordura para a sua proteção e estabilidade.

Além do antígeno (o micro-organismo ou parte dele, como já vimos), as vacinas recebem também substâncias, como antibióticos e estabilizantes químicos, que garantem a conservação, estabilidade e validade delas.

E você pode ficar tranquilo(a) e confiar. Todas as vacinas passam por processos muito bem estabelecidos, com diferentes etapas, e são rigorosamente testadas antes de serem liberadas por agências reguladoras de saúde, como a Anvisa aqui no Brasil.

E se a sua dúvida é sobre as vacinas atualmente disponíveis para proteger contra a Covid-19, as já utilizadas para vacinação em diferentes países do mundo são:

– a da Pfizer/BioNTech, utiliza RNAm;

– a da Oxford/AstraZeneca, usa um vetor viral;

– a da Sinovac (CoronaVac), utiliza vírus inativado;

– a da Moderna, também com RNAm;

– e a da Gamaleya (Sputnik V), utiliza vetor viral.

No meu próximo texto, vou detalhar as principais diferenças entre elas. Mas o que eu posso adiantar aqui é que é extremamente importante que a sociedade faça a sua parte e as pessoas se vacinem. É a única forma segura e eficaz de conseguirmos controlar essa pandemia que desestruturou o mundo e já levou tantas vidas.

Espero que eu tenha ajudado um pouquinho a entender esse universo tão complexo.

Um beijo grande com a certeza de que dias melhores virão! 

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Selma Cabral
6 meses atrás

Excelentes informações e esclarecimento numa época que nunca tivemos tanta gente com restrições a se vacinar e vacinar seus filhos. Parabéns a Erika 👏👏

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