Você sabe como funcionam as memórias emocionais e o porquê de elas influenciarem as suas escolhas e o seu comportamental? 

Helvecio Guast Junior

Por Helvecio Guasti Junior

memórias emocionais


No texto da semana passada, postado nesta coluna, demonstrei a você que o seu cérebro é guiado por emoções e não pela razão. Sendo assim, todas as suas escolhas e comportamentos estão ligados às emoções vividas em experiências anteriores. Ou seja, tudo que irá viver, a cada milésimo de segundo, está sendo comparado com o que já vivenciou e, portanto, que está gravado em suas memórias emocionais. 

Porém, será que estamos eternamente presos a escolhas e padrões comportamentais gerados automaticamente pelo nosso cérebro? Antes de dar a resposta, convido você a entender melhor como funciona o sistema de gravação de memórias em seu cérebro. 

Possuímos 4 principais sistemas de memórias. Memória de trabalho, memória de curto prazo, memória de longo prazo e memória emocional. 

A memória de trabalho é a que utilizamos para gravar uma informação que será utilizada em determinado momento e que não será necessária futuramente. Como exemplo, posso citar o ato de olhar um cartão de visitas, decorar o número que consta no mesmo e digitar esse número no teclado do telefone celular. Esse tipo de memória não pode ser recuperado futuramente, só se for gravada em nosso cérebro como memória de longo prazo. 

A memória de curto prazo é a capacidade que temos de reter uma pequena quantidade de informação na mente num estado ativo e prontamente disponível durante um curto período de tempo. Difere da memória de trabalho pelo fato de não necessariamente ter uma aplicação específica. Podendo ser, por exemplo, a fisionomia de uma pessoa que chamou a minha atenção enquanto caminhava na rua. 

As próximas duas memórias são as que realmente nos interessam no momento. A memória de longo prazo é a memória que pode durar poucos dias ou até mesmo décadas. A memória de longo prazo difere estrutural e funcionalmente das memórias de trabalho ou de curto prazo, pois essas últimas guardam itens por cerca de 20 segundos apenas.

E agora chegamos ao fator mais importante para entendermos como as memórias de longo prazo podem durar até uma vida inteira e passar a influenciar diretamente em nossas escolhas e em nosso comportamental. 

Caso eu pergunte a você o que almoçou há exatamente 30 dias, certamente irá me responder que não se recorda. Aliás, dirá que não faz a mínima ideia! Por outro lado, se eu pedir para você me dizer o sabor do bolo do seu último aniversário, ou do aniversário do seu filho, certamente me dará a resposta! 

E por que isso acontece? Qual foi o fator decisivo para que pudesse lembrar de algo ocorrido há mais de um mês com clareza de detalhes? Se respondeu emoção envolvida, parabéns! Você acertou em cheio! 

Cada experiência que vivemos, caso tenha emoção envolvida, o cérebro entenderá como importante para a sobrevivência. Seja uma memória feliz e prazerosa; ou uma memória que me gerou medo, frustração, tristeza e culpa. 

Como exemplo, imagine que você ontem à noite tenha comido a melhor pizza da sua vida até hoje. Toda e qualquer pizza que você comer daqui para frente, do mesmo sabor, o seu cérebro irá comparar com a de ontem. Pois ele quer repetir a experiência, em função da emoção envolvida. E quando você pensa em comer a pizza novamente, sente uma leve euforia, a boca saliva e gera vontade. Veja a emoção fazendo seu cérebro querer repetir a experiência de forma irrecusável! Seu cérebro disponibiliza dopamina, que gera prazer e motivação, e um pouco de noradrenalina, que gera ansiedade e um pouco de euforia. 

Agora, para complicar um pouco mais, outra informação importante. O seu cérebro não sabe a diferença do que você viveu de verdade e o que imaginou ou sonhou. Se teve forte emoção envolvida, o cérebro entende como REAL! E grava essa memória emocional de longo prazo para comparar com experiências futuras! 

E, daí você me diz: – Calma lá… Você está me dizendo que o que eu sonhar ou imaginar pode afetar minhas escolhas e meu comportamental futuro? Como assim? 

Antes de explicar esse fato, permita-me informar com o que eu trabalho. Fará toda a diferença saber de onde vêm os meus conhecimentos em memórias emocionais, neurociência (neuro físico-química) e comportamental humano. Pois, muito desse conhecimento não vem de livros, e sim de vivência e experimentação prática. E é por esse fato que muitos dos meus textos serão inéditos e trarão reflexões únicas sobre o tema. Contudo, não sou o dono da verdade, jamais teria essa pretensão, sou apenas um cientista na área.

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Formalmente passo a me apresentar. Meu nome é Helvecio Guasti Junior, muito prazer! Trabalho com Hipnose Clínica, isso mesmo, Hipnose! Tratando depressão, pânico, ansiedade, medos, fobias, problemas de relacionamentos, ou seja, tratando qualquer questão emocional ou comportamental indesejável. 

Agora, permita-me retomar o questionamento: – Quer dizer que, o que eu sonhar ou imaginar pode afetar minhas escolhas e meu comportamental futuro? A resposta é SIM! 

Vou dar um exemplo real vivenciado em consultório. Fui procurado por uma mulher de 40 e poucos anos que me pedia ajuda para tratar ansiedade. E, durante a anamnese, me informou que tinha desespero quando a sua filha de 16 anos se arrumava para sair no sábado à noite. Ela me relatou que tinha crises severas de ansiedade com medo de perder a filha. 

Ela me informou que a filha saía com amigas mais velhas, com 18 anos e que uma delas dirigia. Eu perguntei se eram responsáveis e se bebiam ao dirigir. Ela me disse que eram extremamente responsáveis, que não bebiam e que chegavam cedo em casa. Aparentemente, não fazia sentido o pânico quando a filha iniciava a rotina de se arrumar para sair. 

Ao inspecionar esse medo extremo com hipnose, veio uma memória onde a filha dela estava morta em um acidente de carro! Eu utilizava uma técnica de hipnose lúcida que desenvolvi, onde a paciente não estava em transe hipnótico por relaxamento e, portanto, pedi para ela abrir os olhos para que pudéssemos conversar. E imediatamente afirmei:

 – A sua filha está viva e, portanto, essa memória só pode ter sido uma projeção de pensamento em face do medo ou um pesadelo. 

Ela prontamente me respondeu que havia tido esse sonho 6 meses antes. Eu ressignifiquei essa memória gravando uma nova memória emocional, onde ela trazia a filha de volta à vida. E imediatamente, com essa nova memória emocional gravada, onde a filha dela foi trazida de volta à vida, o medo se extinguiu como num passe de mágica! 

E é bastante óbvio. Se eu tenho uma memória gravada em meu banco de memórias emocional onde mesmo quando a minha filha morre eu consigo trazê-la de volta a vida, como eu terei medo de perdê-la? Contudo, a paciente ainda se recordava claramente do pesadelo (a memória racional de longo prazo ainda existe), mas não possuía mais o desespero que tinha antes. Porque a memória emocional desta passagem foi alterada, desligando o sentimento ruim e, consequentemente, o medo gerado. E, o mais importante, após essa alteração ela continuará zelando pela filha, só que agora como qualquer outra mãe no mundo, de forma lógica e proporcional a cada situação. Sem ter medo ou desespero. 

O cérebro é curioso e inusitado! Perceba que tanto o pesadelo, quanto a nova memória gerada são falsas! Não existiram de verdade, todavia o cérebro tem certeza absoluta de que elas existiram! 

Portanto, hoje você aprendeu que a emoção é a chave para gravar memórias duradouras e que irão influenciar toda a sua vida futura. Será que podemos nos utilizar delas para recuperar o livre arbítrio? 

Saiba na próxima semana o desfecho deste capítulo sobre livre arbítrio, aprendendo a fazer melhores escolhas e passando a controlar melhor o seu cérebro emocional!

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