Existem algumas coisas que me dão depressão nessa vida: uma delas é saber que já tem mais de 20 anos que o primeiro filme da série Harry Potter chegou aos cinemas. E eu estava lá para ver. A segunda, é o sucesso arrebatador dessa franquia, que, convenhamos, é legal, mas não tanto assim.
Aproveite descontos exclusivos em cursos, mentorias, eventos, festas e muito mais assinando o Clube 40EMAIS agora! Além disso, ganhe descontos em lojas, restaurantes e serviços selecionados. Não perca tempo, junte-se ao nosso clube!
Agora que a Warner está relançando os filmes para celebrar os vinte anos do lançamento da franquia, eu fico me perguntando: será que o marketing venceu a arte, e é possível vender qualquer porcaria para as pessoas, ou a saga é boa mesmo, e eu que sou um tiozinho implicante? É isso que nós vamos discutir agora.
![]() |
|
![]() |
|

Antes de mais nada, aviso: deixe seu comentário na parte de baixo, pra eu saber se você odeia o que eu escrevo, ou se você quer que eu continue, ok?
Agora vamo que vamo. É importante dar méritos onde os méritos são merecidos: a autora da obra, JK Rowling conseguiu, inegavelmente, partir da mais pura pobreza até a fama e o sucesso mundial, com muito dinheiro, óbvio, com uma obra que é simples, singela, e até bem gostosa de ler. Os livros também foram muito importantes para estimular a geração de crianças dos anos 1990 a voltar ao hábito da leitura, o que é sempre positivo. Eu mesmo tenho a saga completa na estante aqui de casa. Mas filme é filme, livro é livro. E é sobre os filmes que vamos falar aqui.

A começar pelo protagonista. Existe uma lenda de que o primeiro filme seria dirigido por ninguém menos que Steven Spielberg, que queria a estrela em ascensão, Haley Joel Osment para viver o protagonista. Só isso já seria uma melhoria incrível do que acabou indo para as telas. Daniel Radcliffe, apesar de ser idêntico ao desenho do personagem na capa do livro, é um péssimo ator, que passou a franquia inteira atuando muito mal. Possuindo carisma negativo, é triste saber que vamos acompanhar essa tábua de madeira ao longo de 8 filmes, em que ele aparece mais que atores clássicos do teatro britânico, como Maggie Smith ou Michael Gambon. Com isso, o filme já começa com uma severa desvantagem em relação ao livro: ao invés de um protagonista cativante, nós temos aquilo ali. E é uma pena, porque o resto do elenco mirim é muito competente, em especial Rupert Grint, que demonstra competência cômica acima do que se esperaria de alguém tão jovem.
Além do protagonista fraco, a direção dos dois primeiros filmes, levada pelo sempre mediano Chris Columbus é dura, sem criatividade, que, somada ao roteiro amarrado demais aos livros, faz com que os filmes sejam arrastados, longos demais. Esses defeitos, sejamos justos, foram mais do que compensados com a troca de direção a partir do terceiro.

Outro grande problema das tramas dos filmes é a necessidade de, em todos os filmes, alguém personagem (geralmente o Professor Dumbledore) aparecer no final para, literalmente, explicar para Harry (e a audiência) o que aconteceu na trama, por que ela não funciona organicamente. Claro que para as crianças, esse é um recurso importante. Mas o fato de a trama não se explicar naturalmente, é uma fraqueza.
Mas é tão ruim assim?
Não. Harry Potter é uma franquia fantástica, divertida, que trata do crescimento dos seus personagens, suas angústias de adolescente ao mesmo tempo que tem que lidar com problemas políticos de gente grande. Esse fator humano da saga é o que mais funciona, e a sacada de manter o elenco por todos os filmes, e nos fazer crescer (não eu, que já era crescido, mas as crianças que começaram na mesma idade) junto com os personagens cria um elo com o público que funciona bem mais do que apenas marketing para cinema.


Esse fator de identificação com o público é o que gera o sucesso inegável da franquia. Após a conclusão da saga, quantas franquias de fantasia infantojuvenil foram lançadas e que não fizeram nem cócegas no sucesso da saga? Pois é. Desde o chatíssimo “As Crônicas de Nárnia”, até o desperdiçado A Bússola de Ouro, todos tentaram ter um mundo mágico para chamar de seu (e ganhar uma bolada com ele) e deram com os burros n’água. Nenhuma dessas produções possui o fator humano de identificação forte o suficiente para competir com a saga do bruxo.
É tão óbvio isso que nem mesmo os produtores e a autora estão conseguindo continuar o sucesso da obra. Essa série animais fantásticos é uma abominação, um desperdício de dinheiro, arte, atores e meu queridinho, Johnny Depp. São filmes que, embora tenham o rico universo mágico criado por Rowling, não tem identificação. Não há nada ali em que o espectador possa se apegar.

A riqueza da saga Harry Potter está em deixar a criança interior sair e se divertir. É óbvio que, diante de um Senhor dos Anéis, a franquia se apaga. Mas esse texto nem é uma crítica, mas um convite aos que puderem assistir novamente no cinema, ou mesmo em casa, essa saga mágica, que dificilmente, terá uma competição a altura. Basta ver o que fizeram com o Sandman do Neil Gaiman para entender que, não dá para esperar nada das produções atuais. O jeito é vestir capa e chapéu e assistir as mágicas produções de tempos atrás.
Semana que vem, tem “O Poderoso Chefão”, ou “O Senhor dos Anéis”. Vocês escolhem!
Um beijo para você e até a próxima.
MAIS NESSA COLUNA
Leia Também
![]() |
|