Olá, meus leitores quarentões. Existem filmes e franquias que se tornam clássicos, e têm sua importância, e que são bons. Mas que me deixam com a pulga atrás da orelha: será que esse filme é tudo isso, ou fomos todos enganados? Admito que, para mim, Planeta dos Macacos (1968) é um desses filmes.
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Não que o filme seja ruim. Longe disso. Mas, após reassistir algumas vezes, eu tenho dúvida sobre se eu realmente gostei, ou se o final “surpreendente” do filme acaba elevando a nossa emoção com o que acabamos de assistir. Discutirei mais sobre o final mais para frente. Vamos primeiro discutir os seus méritos.
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Desde o primeiro momento em que somos apresentados à sociedade distópica onde macacos dominam e humanos são subjugados, somos levados a questionar nossas próprias noções de poder, preconceito e identidade. A inversão dos papéis tradicionais nos faz refletir sobre temas como liberdade, religião versus ciência, e o significado da autoconsciência. É uma jornada que nos desafia a olhar para dentro de nós mesmos e para o mundo ao nosso redor com novos olhos.

Outra questão interessante é a forma como somos introduzidos ao planeta de maneira bastante calma, gradual, nos juntamos aos três astronautas e vamos descobrindo, junto com eles, como aquele mundo funciona. Vale observar que esse ritmo, embora me cause um pouco de impaciência, ajuda a fazer aumentar a aura de mistério e suspense. Mas, acredito que deve ter sido mais eficaz para quem viu na época, já que, para nós, espectadores modernos, não há suspense algum. Já sabemos que se trata de um… planeta dos macacos. E esse é um dos grandes problemas que tenho com a produção: o fato de, na minha opinião, o conhecimento prévio dos pontos chave do filme acabam por prejudicar a experiência. Eu sei que não é necessariamente culpa do filme, mas não deixa de ser frustrante.
Mas se falha em me aprofundar no suspense e nas reviravoltas da trama, não posso deixar de admirar os feitos técnicos que tornaram possível a criação desse universo distópico. A maquiagem dos macacos, liderada pelo lendário John Chambers, é uma verdadeira obra de arte, permitindo que os atores expressem emoções complexas através das próteses faciais. Os cenários e paisagens desérticas também contribuíram para criar um mundo convincente e imersivo, transportando-nos para um planeta alienígena cheio de mistérios e perigos.

Mas são as atuações que realmente dão vida aos personagens e à narrativa do filme. Charlton Heston brilha como o protagonista cético e desafiador, George Taylor, enquanto Roddy McDowall e Kim Hunter cativam como o casal de macacos cientistas, Cornelius e Zira. Maurice Evans incorpora a autoridade e ambiguidade do Dr. Zaius com maestria e competência. Mas Linda Harrison não transmite uma presença cativante como a humana Nova, me parecendo que ela está lá simplesmente para ser bonita. E consegue. Mas, tirando esse pequeno detalhe, é um elenco que nos faz sentir empatia, raiva e nos ajuda a comprar a trama do filme de forma bastante competente.

E então, quando pensamos que já vimos de tudo, somos surpreendidos por reviravoltas na trama que nos deixam de queixo caído. A revelação final de que a Terra é, na verdade, o planeta dos macacos, é uma virada tão inesperada quanto impactante…mas será mesmo? Porque, mesmo na época do lançamento, não é possível que as pessoas não percebessem que, na verdade, estávamos o tempo todo em nosso próprio planeta. Não apenas as paisagens são muito similares, como, e isso eu acho uma falta grave do filme, em determinado momento, os heróis vão parar em uma caverna, onde encontram restos da civilização humana, incluindo uma boneca. Então, não consigo acreditar que a cena da Estátua da Liberdade possa surpreender alguém, quando a verdade está tão evidente. Acredito que teria sido melhor suprimir esse momento do filme, para que a revelação do monumento na praia fosse verdadeiramente surpreendente.
E esse detalhe é realmente uma pena, pois a importância de “O Planeta dos Macacos” para a ficção científica é inegável. Além de seu impacto cultural duradouro, o filme influenciou gerações de cineastas e espectadores, inspirando sequências, adaptações e debates sobre temas sociais e filosóficos. Sua abordagem ousada e sua mensagem atemporal continuam a ressoar com o público, tornando-o um marco no gênero da ficção científica. Daí, além do óbvio esgotamento criativo de Hollywood, a explicação para tantas sequências e reimaginações.

E agora, com um novo filme da franquia, “Planeta dos Macacos: o Reinado“, estreando esta semana, não há momento melhor para revisitar o clássico que começou tudo. Recomendo assistir a “O Planeta dos Macacos” para relembrar sua magia e redescobrir por que ele permanece como um dos grandes filmes da história do cinema. Ou, assim como eu, para redescobrir as coisas que não gosta no filme. De qualquer forma, assistir filmes é sempre bom. Mesmo que você acabe não gostando tanto assim da obra no final das contas.
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