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Bruninho, Débora, a arquibancada e nós

Anderson Firmino

Por Anderson Firmino

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Bruno e Débora não se conhecem, mas vivem a mesma paixão: são alvinegros. Ele, da Vila Belmiro; ela, de Minas Gerais. Frequentam os estádios para ver Santos e Atlético/MG em campo, respectivamente. E, esta semana, tiveram uma rachadura séria nesse amor pelo futebol, cada um a seu modo. 

Bruninho foi hostilizado por receber, ao final do jogo do último domingo, a camisa das mãos de um jogador do Palmeiras. Nas redes sociais, ameaças de agressão feitas por boçais, que provocaram até um pedido de desculpas público. Bruninho tem nove anos. 

Débora torce pelo Galo mineiro. Na última quarta-feira, foi assediada no Mineirão, em meio à euforia de mais de 50 mil atleticanos por mais uma vitória no Brasileirão. Um desconhecido a encurralou e forçou um beijo, para sair rindo na sequência. Em meio a protestos e gritos, ainda ouviu que era “exagero” dela. 

Bruninho foi acolhido pelo mundo do futebol. Ganhou várias mensagens carinhosas de jogadores e treinadores. Voltou à Vila com status de convidado VIP, com direito a camarote, contato com os jogadores e muitos mimos. No sábado, ainda foi ao treino da Seleção, onde conheceu o ídolo Neymar. No momento em que escrevo este texto, ele está na tela da Globo falando sobre o que ocorreu. 

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Débora, por sua vez, não teve acolhida no momento de maior fragilidade. “Eu pensei: ‘Não posso deixar por isso mesmo’. Ele apressou o passo, e eu comecei a gritar, dizendo que ele tinha me agarrado, mas ninguém fez nada. Teve um cara que ainda estava perto e falou que não era para tanto”, relatou ao G1.

Administradora do estádio, a Minas Arena afirma que “vem aprimorando o treinamento de seus prestadores de serviço e tem trabalhado para o melhor acolhimento das torcedoras”.  O clube prepara uma “campanha de conscientização”. É muito pouco. 

No dia 21, estaremos a um ano da abertura da Copa do Mundo do Catar. O Brasil já está classificado e buscará o sexto título. Os dois personagens da semana estarão reunidos com amigos e familiares para torcer, como muitos de nós. Darão o seu melhor no apoio à equipe nacional. Mas o que o futebol pode fazer, de verdade, por eles? Há um caminho longo a percorrer, para que novos Bruninho e Débora não precisem sofrer por amor à bola.

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