Estrangeiro, sim, super-homem, não

estrangeiroDos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, oito contam com treinadores estrangeiros no momento em que escrevo este texto. Todos sabemos que o futebol é dinâmico e as coisas mudam rapidamente. O número, próximo à metade do total, se restringe a três países: Portugal (com quatro: Palmeiras, Corinthians, Flamengo e Botafogo), Argentina (com três: Santos, Atlético/MG e Fortaleza) e Paraguai (Coritiba). estrangeiro

Não me incomodo nem um pouco de que técnicos estrangeiros venham trabalhar em clubes brasileiros. Até porque o movimento contrário também acontece – e com exemplos bem-sucedidos em países sem tanta expressão no mundo da bola, o que também aumenta o valor disso. E, no próprio País, isso já acontece em outras modalidades, embora elas não tenham o aspecto hegemônico que o futebol ocupa. O aspecto do conhecimento vale mais.

O que me incomoda é um outro raciocínio, absolutamente simplista e maniqueísta: o estrangeiro é bom e o brasileiro, ruim. Trata-se de uma corrente de pensamento presente na cabeça de muitas pessoas – e não é de hoje -, porém ligada a produtos dos mais variados. 

Parece que essa linha se adaptou ao futebol e se estabeleceu com especial constância a partir de 2019, com os grandes resultados do português Jorge Jesus à frente do Flamengo campeão brasileiro e da Libertadores. Observe-se também que o treinador tinha um belo time nas mãos.

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Naquele mesmo ano, a ideia foi cristalizada pelo segundo colocado do Brasileirão – ainda que com uma larga desvantagem, pela incrível supremacia rubro-negra – ser o Santos comandado pelo argentino Jorge Sampaoli. Nacionalidades diferentes, um só comportamento: a ofensividade.

É até natural que o brasileiro se apegue aos treinadores estrangeiros, partindo destes cases de sucesso, por causa justamente de um estilo que muitos brasileiros sepultaram desde as categorias de base, em nome de máximas como “jogar por uma bola” ou “saber sofrer”. São preceitos tão enjoados como ganhar nas estatísticas na posse de bola e nada criar de concreto. 

Virou moda achar que trazer um técnico português vai resolver todos os problemas de um time. Estende-se este pensamento aos argentinos. Só que, diferentemente do que se convencionou pensar, há profissionais bons e ruins em qualquer país. Nacionalidade não faz ninguém melhor ou pior. Nem mais ofensivo do que retranqueiro. É a mesma relação que se aplica.

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A chegada de alguém de fora para comandar um clube brasileiro à beira das quatro linhas traz também um olhar mais acurado por parte desse profissional, justamente pelo aparente desconhecimento de uma realidade que muitos julgam imutável. E, de quebra, um importante ensinamento: o treinador nacional precisa seguir aprendendo, mas sem se esquecer das origens ofensivas do futebol e, ao mesmo tempo, não achar que o País segue hegemônico no esporte com a bola nos pés.

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Ted Sartori
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