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Pandemia mostrou importância de se investir em Ciência

Érika Klann

Por Érika Klann

ciência


Nos últimos tempos, diante de movimentos anticiência, disseminação de fake news e acúmulo de informações controversas, foi natural crescer a descrença no conhecimento científico. Talvez você mesmo conheça alguém que não acredita em vacinas, no aquecimento global ou defende que a Terra é plana. Sobra criatividade e faltam argumentos…

Mas, uma boa notícia é que este quadro vem sendo revertido. É o que indica a última pesquisa do State of Science Index (SOSI) ou Índice do Estado da Ciência. Promovida pela empresa 3M e realizada pela Ipsos, a SOSI, há 3 anos, mapeia a percepção da população mundial sobre a produção científica. A mais recente pesquisa entrevistou 25 mil pessoas e, pela primeira vez, se percebeu um aumento na confiança pela Ciência. 

No Brasil, o estudo foi realizado com mais de mil pessoas e a descrença teve uma queda de 42% em 2019 para 33% em 2020. Muito desse resultado é consequência da ampla discussão e atuação da Ciência para responder à pandemia da Covid-19. Foi dentro desse contexto assustador e, pela maioria, inesperado, que a Ciência se apresentou como uma esperança para a humanidade.

O esforço mundial da comunidade científica para conhecer o novo coronavírus, sua ação no nosso organismo, a dinâmica de contágio e as medidas eficientes de proteção e mitigação da disseminação do vírus, além da corrida para encontrar um tratamento eficaz e produzir uma vacina protetiva, trouxeram a Ciência novamente como protagonista, mostrando à sociedade a sua importância na geração de conhecimento e na contribuição do desenvolvimento humano.

“A palavra ciência nunca foi mencionada tantas vezes. Por mais que já tenhamos tentado chamar atenção que existe ciência em todos os momentos da vida de uma pessoa, desde a comida que ela come, a roupa que veste e os óbvios instrumentos que utiliza em seu trabalho ou lazer, a consciência sobre a importância da ciência não havia sido atingida com tanta intensidade como agora”, diz Lucile Maria Floeter Winter, diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em entrevista ao Observatório do Terceiro Setor.

Essa mobilização mundial pode ser percebida pela quantidade de artigos científicos publicados durante esse período pandêmico. Até mesmo o tempo de publicação de um artigo foi acelerado pela urgência do momento. O acesso a estes artigos também foi democratizado com a suspensão das restrições das revistas a assinantes, para que a circulação das informações fosse mais rápida e eficiente. Além disso, universidades e instituições científicas criaram rapidamente bancos de dados e centros de informação, com dados atualizados continuamente.

Essa distribuição massiva de informações, discussões nas redes sociais, debates nos meios de comunicação com a presença de biólogos, infectologistas e epidemiologistas têm oportunizado um maior aprendizado a respeito do papel da Ciência, assim como incluído a sociedade nessas questões.

E um dos projetos que vem ganhando espaço neste cenário é o Ciência Cidadã. O movimento, que nasceu na década de 90 nos EUA e na Inglaterra, funciona como uma ferramenta inclusiva de pesquisa.

Por meio de sites específicos ou nas redes sociais, a população consegue contribuir com diferentes estudos científicos, sobretudo da fauna e flora locais, através de fotos e vídeos. Assim, apaixonados pela natureza conseguem ajudar na observação e identificação de aves, peixes, corais e flores, por exemplo, ou então no registro de animais silvestres em estradas, contribuindo com estudos de preservação e monitoramento da biodiversidade.

A Ciência Cidadã promove a participação da população na produção do conhecimento científico, que vai além da coleta de dados, aproximando a sociedade à produção científica e influenciando nas políticas públicas e na melhoria da tomada de decisões.

Investir em Ciência Cidadã é contribuir com a construção da cidadania científica e o despertar do pensamento crítico. E um dos grandes desafios da área da ciência é fomentar e universalizar o acesso a uma educação de qualidade em ciência e tecnologia, além de proporcionar uma maior compreensão das possibilidades da carreira científica.

A produção científica, através dos seus métodos e ferramentas, nos abre novas perspectivas e conhecimentos, permitindo analisar o mundo que nos envolve, seus desafios e tudo o que já construímos até aqui, desde o domínio do fogo, da agricultura, a revolução industrial, aproximação entre as pessoas e os países, desenvolvimento da comunicação, a revolução tecnológica, e a surpreendente melhora na expectativa e qualidade de vida.

A Ciência também vem na busca de soluções para os desafios da humanidade, como os problemas que envolvem uma energia sustentável, conservação da água, consumo e desperdício, poluição, sustentabilidade, meio ambiente, saúde e todas as questões que envolvem o desenvolvimento de uma sociedade.

Diante de tantas evidências mundiais, a Ciência e a tecnologia são bases fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de um país.

Mas, o protagonismo científico brasileiro enfrenta difíceis desafios e complexas barreiras, como o contínuo corte de verba para o financiamento dos projetos, a falta de infraestrutura nas instituições de ensino e de pesquisa, e a falta de formulação de políticas públicas de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico.

E, apesar de tantas dificuldades, os cientistas e as instituições de pesquisa brasileiros tiveram um papel fundamental nesse momento de pandemia, realizando um belo trabalho de engajamento, apoio, estudo, pesquisa e disseminação de informações baseadas em evidências científicas.

Que esta experiência desafiadora e toda a sua consequência no âmbito da saúde e da economia, atravessando uma crise pandêmica despreparada, sirvam de lição para que nossos governantes enxerguem a importância do papel da Ciência, o aumento do engajamento da sociedade e a urgência em mudanças e revejam seus planos de investimento nos institutos de pesquisa e órgãos de saúde pública.

Porque a Ciência se faz a longo prazo…

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