Não deu tempo. Foi no meio do caminho. No meio da esquina. Na tarde que cedo anoitecia… carona
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Aquele pingo escorreu quente e grosso, do alto da minha cabeça até o pescoço. E me pegou em cheio. Depois mais um. Mais um. Depois outro. Agora, em volume torrencial. Tempestade tropical. Com seus pingos gigantes e certeiros. São Pedro em fúria, com devaneios…
Tudo que me coube de abrigo foi uma espécie de toldo, numa lojinha fechada há pouco mais de um mês. Na rua, apenas alguns carros. Poucas pessoas passavam. Umas duas. Ou três… Até que a Valdirene passou! Negra. Grande. Cabelo afro. E um guarda chuva estampado gigante. Deus sabe como eu o cobicei…
Valdirene parece que percebeu. Deu um arrepio, três passos pra trás e ofereceu: – Quer uma carona? Gruda aqui. Depois completou: – Aproveita! O que cai do céu é porque Deus mandou!
Seguimos sorrindo, braços dados, caminhando e falando da vida. Valdirene fazia faxinas. E de noite era cuidadora. Trocamos, em comum, nossas histórias. De idosos, Alzheimer e perdas de memória… Depois falamos sobre o doce e o amargo da vida. A falta de fé da atual e cada vez mais cruel sociedade. Da biodiversidade. Dos cortes nas faculdades. E terminamos com dicas de bolo de chocolate!
Valdirene tinha riso largo e bom humor. E lembrava músicas que falavam da chuva. Foram seis alegres quarteirões. E umas três ou quatro canções… Demétrius, Benjor, Biquini Cavadão…
Ela fez questão de me levar até a porta do prédio. – Obrigada, Valdirene! Quer subir para um cafezinho? – Não posso não. Amanhã acordo às sete. Bem cedinho! – Fica com Deus, então…
Foi mais que uma carona. Foi um abraço, de dois corações.
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