Os grandes feitos estão todos anotados, no arquivo estufado da nossa memória. Polidos como uma medalha. Alguns, bem empoeirados. Eternizados com o orgulho da fama. Ao recordá-los, o nosso ego se inflama. São as grandes conquistas. O cargo. O diploma. A foto da caridade divulgada nos jornais da semana… milagres
Aproveite descontos exclusivos em cursos, mentorias, eventos, festas e muito mais assinando o Clube 40EMAIS agora! Além disso, ganhe descontos em lojas, restaurantes e serviços selecionados. Não perca tempo, junte-se ao nosso clube!
Os fatos familiares e emotivos também estão devidamente protegidos nesse arquivo vivo. O casamento. O nascimento dos filhos. Os netos, bisnetos… Numa extensa pasta, denominada “família”. Relicário hereditário das maravilhas!
Mas onde moram as memórias mais simples, dos milagres cotidianos? Mais divinos que humanos? Momentos de anônima beleza. Que vem sem anúncio. Vem da natureza…
As formiguinhas carregando folhas gigantes em suas costas. Parecem tão dispostas e suportam sem reclamar. Os insetos e sua rotineira folia. Lambendo as flores, provando o néctar do dia. Os peixinhos na beirinha. Hoje mesmo vi um cardume deles. Ligeiros e perto dos meus pés. Um meio metro apenas. Voltaram correndo pro mar. Vou me lembrar?
São tantos milagres… O céu ficando laranja. O tear mágico e geométrico das aranhas. As andorinhas voando em jornadas intensas. A névoa densa. A lua redonda surgindo atrás da montanha…
Ainda ontem, um jovem em seu quintal de chão pobre, dançava na chuva um balé clássico de rara beleza e elegância nobre. Quanta delicadeza! Vi sua imagem de passagem…
Milagres. Milagres sem registro. O ovo quebrando e pronto, um pinto! Na minha janela nasceram dois pombos irmãos. Um branco e um preto retinto. Milagres todos os dias. Milagre da vida! Que nem sempre se arquiva. A vida simples de todos nós, pretensiosos mortais…
Olhemos bem os sinais. Os pequenos milagres… que todo dia a vida traz!
MAIS NESSA COLUNA
Leia Também
![]() |
|