Os dois seios enormes da mulher balançavam dentro do decote à medida que ela caminhava. Trôpega, saindo pelo portão de ferro em direção à rua. O salto quinze, de pelica, em uma das mãos. E um longo vestido que arrastava papéis amassados, tampinhas e bitucas de cigarro. A barra dupla, já meio suja, rente ao chão…
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Partiu ziguezagueando pela calçada no meio da madrugada num bate-papo interior e solitário. Alcoólico. Hiperbólico. Melancólico… Na boca, risos, lágrimas e borras de batom. É a Dona Sofia! Ela tem saído assim nas últimas semanas, depois da separação, completou o porteiro do clube noturno, com ar de compaixão. Fui acompanhando o seu trajeto mambembe pelas ruas desertas, imaginando os estragos do desamor…
Talvez, um casamento de conveniência. Uma relação de muitos anos, com grande apego financeiro. Briga por dinheiro! Ou, a descoberta de uma amante mais jovem. Uma mulher. Quem sabe, um homem? Ou nada disso. Apenas um porre! Para afastar a solidão de nunca ter encontrado um amor desenfreado. Desses de tirar a roupa e os sapatos depois de inúmeras tentativas frustradas e apostas em pessoas erradas.
A mulher cambaleante seguiu até virar a esquina e sumir. Na rua e no meu pensamento. Coisa de momentos.
Na semana seguinte, saindo do médico, encontro a Dona Sofia… Andar reto. Terno tubinho, todo fechado. Scarpin baixo. Figurino fino. Cumprimentou brevemente a secretária, deixando o consultório com seus óculos meio grau e ar profissional.
Perguntei quem era, só pra me certificar… Dona Sofia! Ela é terapeuta de casais! Conserta a vida amorosa de todo mundo…
Dona Sofia, balbuciei baixinho… quem diria?
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